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Río Negro planeja obras nas rodovias 22 e 151 sem orçamento nem prazos definitivos

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O convênio com a Nação prevê uma cessão por 20 anos e uma incorporação gradual de trechos. A primeira etapa projeta intervir 305 quilômetros com até USD 60 milhões, mas requer aprovação legislativa, acordos operacionais e financiamento efetivo.

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Río Negro começou a planejar as intervenções nas rotas nacionais 22 e 151 após assinar com a Nação um convênio que abre o processo de transferência. O acordo permitirá à Província gerenciar, administrar e manter trechos durante 20 anos, mas não implica uma recepção imediata de toda a rede. A incorporação será gradual, à medida que cada setor fique liberado de contratos, dívidas e obrigações anteriores e sejam concluídos os instrumentos jurídicos e operacionais correspondentes.

O esquema geral compreende cerca de 518 quilômetros, enquanto a primeira etapa prevê recuperar cerca de 305 quilômetros. Os trabalhos projetados incluem pavimentos, acostamentos, sinalização, segurança viária e manutenção. Para financiá-los, considera-se um crédito de até USD 60 milhões do Fonplata. Esse montante é uma projeção e não um orçamento executado: ainda precisam ser concluídos trâmites, condições de financiamento, priorização de obras e cronogramas antes de convertê-lo em desembolsos e contratos.

A Província identificou três intervenções iniciais: finalizar a rotatória das rotas 22 e 250 em Choele Choel, atuar no setor de Puente 83 de Cipolletti e recondicionar a Rota 151 entre Barda del Medio e Catriel. São corredores sensíveis para mobilidade cotidiana, produção e conexão com Neuquén e Vaca Muerta. A seleção marca prioridades, mas ainda não oferece datas completas de licitação, início e término nem o custo individual de cada obra.

O convênio requer aprovação legislativa rionegrina para aperfeiçoar a transferência. A posse dos trechos liberados está prevista para 60 dias úteis após a conclusão dos instrumentos, enquanto a Nação dispõe de prazo semelhante para regularizar situações pendentes. A Vialidad Nacional deverá entregar projetos, estudos, levantamentos, plantas e antecedentes. Río Negro não assumirá automaticamente certificados não pagos, contratos, reclamações ou contingências anteriores à transferência.

A ausência inicial de prazos e orçamento definitivo obriga a separar planejamento da execução. O governo provincial deve definir qual padrão de estrada é necessário, qual intervenção é prioritária e como manterá a conservação após as obras. Um crédito pode financiar a recuperação, mas a conservação futura exige recursos recorrentes. Também deverão ser conhecidos os mecanismos de contratação, controle técnico, segurança viária e coordenação com municípios, transportadores e setores produtivos afetados pelas obras.

O governador Alberto Weretilneck apresentou o acordo como uma decisão de autonomia diante do desgaste acumulado e da falta de respostas nacionais. A assunção provincial pode reduzir a distância entre a demanda local e a gestão, embora também transfira responsabilidades financeiras e operacionais significativas. A avaliação não deve se limitar a quem administra a rota: importa se melhora o estado da estrada, reduz acidentes, completa obras inconclusas e garante conectividade durante a transformação produtiva do norte da Patagônia.

O processo está iniciado, mas ainda não foi concluída a transferência nem começou toda a obra anunciada. A sequência verificável será aprovação legislativa, regularização de trechos, entrega documental, tomada de posse, financiamento, licitações e execução. Cada etapa pode modificar tempos e custos. A Província deverá ainda garantir a transitabilidade enquanto durarem os trabalhos, coordenar desvios e publicar indicadores de sinistralidade e estado da pavimentação. O controle das obrigações herdadas será decisivo para evitar que litígios ou certificados anteriores consumam recursos do novo programa. O planejamento oferece uma estrutura e três prioridades; até que existam contratos e cronogramas públicos, não é apropriado apresentar a transferência como uma solução já concretizada para as rotas 22 e 151. Essa cautela não diminui a importância do acordo, mas posiciona corretamente sua etapa administrativa e financeira. Para usuários e produtores, o critério final será a melhoria comprovável da viagem e não a titularidade formal do corredor. A Província precisará manter essa melhoria durante todo o período de 20 anos. Esse horizonte ainda está em aberto.

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