O Conselho Deliberativo da cidade de Formosa passou por uma extensa sessão marcada por diferenças políticas e procedimentais. Sob a presidência de Darío Di Martino, o corpo tratou de homenagens, perdões e isenções tributárias para moradores vulneráveis, além de pedidos de infraestrutura e serviços. A tensão aumentou durante o debate de vários processos impulsionados pela oposição e atingiu seu ponto máximo com a discussão sobre a abertura de uma praça no bairro Lisbel Rivira.
Os blocos de La Libertad Avanza apresentaram iniciativas relacionadas a espaços verdes, nivelamento, preenchimento e compactação na Urbanización España, e uma intervenção viária na rua Entre Ríos até o acesso ao Lote 15. Também surgiram propostas institucionais: um Sistema de Orçamento Municipal Aberto e Recibo do Contribuinte, identificado como processo B-14/26, e a adesão a um regime de transparência fiscal ao consumidor através do processo B-38/26. A sessão combinou assim demandas de bairro com discussões sobre informação pública.
O conflito principal concentrou-se no processo B-11/26 sobre a praça do Lisbel Rivira. Mattía Cánepa Nemen pediu tratamento preferencial, com ou sem despacho, para a sessão seguinte. Questionou que uma obra iniciada em 2023, com um prazo original de 150 dias, ainda não estivesse habilitada. Sua intervenção atribuiu o atraso a tempos políticos e sustentou que os vizinhos não deviam esperar uma inauguração formal para utilizar um espaço que considera público.
Desde o oficialismo, a vereadora Gamarra reclamou levar a questão a votação e rejeitou que o município pudesse ser intimado a abrir uma obra da qual, segundo explicou, não é o ente executor. Também invocou etapas técnicas e administrativas como execução, prorrogações, recepção provisória e garantia. Seu argumento foi que uma abertura antes de completar condições de segurança poderia colocar em risco os usuários. A controvérsia confrontou urgência comunitária com responsabilidades formais sobre uma obra ainda não recebida.
A disputa se estendeu à condução do debate. Cánepa se retirou do recinto, mas os demais integrantes do LLA permaneceram em seus bancos e a sessão continuou até completar a pauta. Uma vez encerrada, o vereador e Di Martino trocaram reprovações fora do recinto. O episódio mostrou que a ruptura não foi somente entre governo e oposição: a decisão de se retirar também não foi acompanhada por todo o espaço libertário, o que adicionou uma diferença tática interna.
Nenhum dos cruzamentos resolveu o estado material da praça nem estabeleceu uma data de abertura. Para determinar responsabilidades, é necessário identificar o organismo executor, o avanço certificado, eventuais prorrogações, recepção e condições de segurança. Da mesma forma, os projetos de transparência e obras de bairros devem ser distinguidos conforme sua etapa: apresentação, reserva, despacho, preferência, votação ou execução. Tratar todas essas instâncias como decisões consumadas produziria uma imagem incorreta do trabalho legislativo municipal.
A jornada deixou uma agenda substantiva eclipsada pelo enfrentamento. Houve processos tributários, viários, de bairros e de transparência, mas a imagem dominante foi a saída de Cánepa e seu choque com Di Martino. O desafio institucional será recuperar o conteúdo das propostas e publicar o percurso de cada processo. Atas, votações, despachos e estados de obra permitiriam reduzir o espaço para acusações contraditórias. Também facilitaria que os vizinhos do Lisbel Rivira conheçam qual requisito impede a abertura e qual autoridade deve cumpri-lo. A oposição busca acelerar respostas e exibir atrasos; o governo defende procedimentos e atribuições. A eficácia do Conselho dependerá de transformar essa disputa em decisões verificáveis para os moradores. A próxima sessão mostrará se o expediente recebe a preferência solicitada ou volta a ficar pendente na comissão. Esse dado deverá ficar disponível para controle público.