Cadernos atribuídos a alunos do quarto ano abriram uma controvérsia sobre os limites entre o ensino da história provincial e a promoção de um governo em exercício. Os registros apresentam 1995, ano em que Gildo Insfrán assumiu a Governadoria, como o início de uma transformação de Formosa associada a melhorias na vida, no trabalho e nos valores. A deputada radical Agostina Villaggi levou o caso ao Ministerio de Capital Humano da Nação.
Villaggi identificou o Colegio Don Bosco e afirmou ter recebido materiais de outras escolas da capital provincial. Segundo sua denúncia, crianças de nove e dez anos copiaram em Ciências Sociais conteúdos favoráveis ao denominado Modelo Formoseño, com referências a solidariedade, cooperação e esforço. A legisladora questionou especialmente que a chegada de Insfrán ao poder apareça junto a fatos como a fundação da cidade e a provincialização, sob a ideia de uma terceira fundação.
A apresentação política não demonstra por si só que a atividade se repita em todo o sistema nem que exista uma instrução escrita do governador. Para determinar seu alcance, deverão ser incorporados ao processo os planejamentos, os manuais, as consignas completas e os depoimentos das autoridades educacionais. Essa verificação permitirá distinguir entre uma proposta pontual de um professor, uma adaptação institucional e uma diretriz geral para as escolas primárias.
Lucy Aguayo, docente e ex-integrante da Junta de Clasificación do ensino fundamental, alertou que o currículo escolar não obriga a ensinar um projeto de governo e que uma orientação partidária poderia violar a Constituição provincial. Ao mesmo tempo, evitou generalizar a partir das imagens divulgadas. Sua argumentação separa o ensino legítimo das transformações recentes de uma avaliação unilateral da gestão, diferença que deverá ser examinada nos materiais completos.
O Ministério provincial decidiu defender o conteúdo. O diretor de Educação Primária, Juan Ignacio Meza, afirmou que estudar as mudanças territoriais, econômicas e sociais não constitui um slogan, mas um ensino respaldado pela Constituição de Formosa, pelo Consejo Federal de Educación e pelo desenho curricular. Incluiu nessa abordagem as obras de infraestrutura, o desenvolvimento produtivo, o sistema de saúde e as bases socioeconômicas, e considerou que suprimí-lo equivaleria a censurar a identidade e a memória local.
A resposta oficial confirma que as autoridades não trataram o material como uma anomalia que devesse ser retirada imediatamente, mas também não resolve a acusação sobre sua orientação. A próxima instância será a resposta do Capital Humano e a publicação da sequência didática, seus objetivos, textos, critérios de avaliação e alcance territorial. Até então, o doutrinamento continuará sendo uma denúncia atribuída a Villaggi; o fato verificável é a defesa institucional de conteúdos vinculados ao modelo político de Insfrán.