Leandro Busatto começou a organizar uma possível candidatura à prefeitura da cidade de Santa Fe em 2027, embora ainda não tenha decidido se liderará a disputa. O ex-deputado provincial pretende tomar a decisão entre outubro e novembro, antes do fim do ano. Até lá, sua equipe tenta transformar uma série de conversas políticas em uma proposta urbana reconhecível, com estrutura eleitoral própria e capacidade para disputar o governo municipal.
A construção não se limita ao Partido Justicialista. Busatto trabalha com mais de dez espaços e quer incorporar setores do Movimiento Derecho al Futuro, La Cámpora, Movimiento Evita, sindicatos, movimentos sociais e organizações de centro-esquerda. O ex-vereador Guillermo Jerez aparece entre os envolvidos nessas conversas. O critério é ampliar a base sem esvaziá-la: a coalizão deverá expressar uma alternativa comum e sustentar um programa concreto para a capital provincial.
A trajetória de Busatto combina experiência institucional e uma etapa recente de autonomia política. Ele foi deputado provincial por dois mandatos, entre 2015 e 2023, e naquele último ano concorreu ao governo na prévia peronista. Perdeu para Marcelo Lewandowski e depois se afastou organicamente do rossismo, mantendo uma relação política correta. Desde então, consolidou o Comunidad como espaço próprio e continuou participando de reuniões partidárias e encontros entre diferentes correntes.
A busca por uma aliança mais ampla tem um precedente imediato. Na campanha provincial de 2023, Busatto apoiou Federico Fullini para prefeito em uma frente com setores de centro-esquerda que atuou fora da estrutura formal do PJ e levou Pablo Landó como candidato a vereador. A experiência agora serve de referência, mas a nova articulação procura mais volume, presença territorial e acordos capazes de sustentar listas em vários níveis.
Seu entorno não descarta que a competição termine ocorrendo dentro do justicialismo. Ali se considera necessário concentrar forças e existe confiança na possibilidade de vencer uma prévia, embora o quadro de postulantes continue aberto. Oscar 'Cachi' Martínez aparece entre os nomes avaliados, assim como Pedro Medei, enquanto o perottismo ainda não definiu se terá candidato próprio. A escolha municipal também dependerá dos entendimentos provinciais entre as diferentes correntes.
O projeto vai além de uma candidatura individual. O grupo avalia apresentar listas para os conselhos municipais, disputar representação no departamento La Capital e construir presença provincial. Um dos objetivos é devolver ao peronismo da cidade de Santa Fe um peso que, segundo seus dirigentes, ficou ofuscado pela centralidade de Rosário. Essa ambição exige coordenar militantes de bairro, organizações sociais, sindicatos e referências partidárias sob regras ainda por negociar.
Busatto já definiu o perfil opositor que acompanharia sua candidatura. Seu discurso confrontará o prefeito Juan Pablo Poletti, o governador Maximiliano Pullaro e o presidente Javier Milei. Nas intervenções recentes, ele relaciona decisões econômicas nacionais a problemas da cidade e aponta limites da gestão municipal diante de diferentes demandas. A campanha buscará converter essa crítica em agenda local e impedir que a aliança seja apenas uma soma de rejeições.
A decisão virá entre outubro e novembro e deverá resolver três questões ao mesmo tempo: se Busatto concorre, em qual aliança e com que projeto de cidade. Antes de oficializar nomes, seu espaço precisa fechar acordos, estabelecer prioridades urbanas e medir a viabilidade de uma prévia ou de uma coalizão mais ampla. O próximo passo não será apenas anunciar uma candidatura, mas provar que os setores convocados podem agir como força comum até a eleição de 2027.