O Governo de Neuquén iniciou negociações para assumir o controle de um complexo de 140 moradias inconclusas na planície de Centenario e terminá-lo com recursos provinciais. O projeto começou em 2022 dentro do programa Procrear, ficou paralisado em 2023 e apresenta um avanço estimado entre 40% e 50%. A solução depende de um acordo econômico com o Banco Hipotecario, que intermediou o desenvolvimento.
A ministra de Infraestrutura, Tanya Bertoldi, explicou que a paralisação da obra pública nacional e a posterior eliminação da área federal de Habitat deixaram a Província sem um interlocutor para revisar os planos pendentes. Neuquén decidiu então absorver algumas tarefas originalmente financiadas pela Nação e já completou, entre outras, 16 moradias de um programa federal em Zapala.
O caso de Centenario tem uma estrutura distinta porque a construção foi realizada através do Banco Hipotecario e não diretamente com fundos nacionais. O Procrear combinava o desenvolvimento habitacional com créditos facilitados para aqueles que adquiririam as unidades. No entanto, as 140 casas não chegaram a ter adjudicatários, de forma que a interrupção não deixou famílias previamente designadas esperando uma entrega formal.
A primeira conversa entre a Província e o banco ocorreu há um mês, durante uma reunião em Buenos Aires com representantes da CAF e entidades financeiras. Bertoldi propôs analisar quanto corresponde pagar pelo que já foi construído e completar o restante com fundos próprios. Até agora, afirmou, o banco ofereceu poucas alternativas, embora o Ministério da Infraestrutura busque alcançar um entendimento antes do final do ano.
Se a negociação prosperar, o próximo passo será inspecionar o estado do complexo e calcular o tempo e o custo de conclusão. Três anos de abandono podem ter modificado as necessidades em relação ao projeto original, de modo que o percentual de avanço não é suficiente para determinar o orçamento restante. A Província deverá ainda definir o mecanismo futuro de adjudicação, já que não existe uma lista prévia de beneficiários.
A gestão faz parte de uma política habitacional mais ampla. O programa Neuquén Habita e as linhas de crédito para construção ou ampliação reúnem 3.400 pré-inscritos. Uma parte importante não tinha medição ou escritura do terreno, por isso foi adicionado um empréstimo para regularização fundiária. Em Centenario, a prioridade imediata é diferente: fechar o acordo com o Hipotecário, avaliar a obra existente e estabelecer se as 140 moradias podem ser reativadas com financiamento estadual.