A expansão dos projetos de mineração em San Juan abriu um conflito sobre quem acessa os postos gerados pela atividade. O sindicato de operadores de máquinas pesadas SOMPRA, ainda em formação, e a associação civil AOMPE denunciam que mais de 400 trabalhadores sanjuaninos permanecem desempregados enquanto as empresas contratam pessoal de outras províncias. As entidades afirmam que essa lista local reúne capacitação e experiência aplicáveis tanto à mineração quanto à construção.
A reivindicação abrange funções indispensáveis para movimentar materiais e preparar as jazidas: operadores de tratores, carregadeiras, escavadeiras, caminhões e equipamentos de perfuração. Alejandro Campusano representa a SOMPRA no plano nacional e Hernán Molina preside a AOMPE em San Juan. A associação já tem personalidade jurídica, enquanto o sindicato espera obter neste ano o registro sindical nacional após quase uma década de trâmites.
As organizações tentaram abrir um canal direto com o setor empresarial. Campusano afirmou que enviaram notas a cerca de 45 companhias ligadas a Vicuña, Gualcamayo, Veladero, Josemaría e outros projetos, mas somente Los Azules respondeu ao pedido de reunião. Também procuraram os municípios: Iglesia respondeu, Valle Fértil analisa um acordo de capacitação ainda inconcluso e não houve resposta formal de Calingasta nem de Jáchal, dois departamentos centrais para a mineração provincial.
O incômodo não se limita à ausência de reuniões. Os dirigentes questionam a contratação de trabalhadores vindos de outros distritos quando há uma bolsa de trabalho sanjuanina disponível. Molina descreveu o caso de um integrante que precisou trabalhar em La Pampa, onde espera dois meses para voltar para casa e paga as passagens do próprio bolso. Para as entidades, a situação mostra a distância entre o crescimento da atividade e sua tradução efetiva em oportunidades locais.
A relação com o Estado teve resultados diferentes. Campusano recordou que, durante a gestão anterior do Ministério da Mineração, o setor pediu oportunidades de emprego e recebeu dez capacetes e um quadro, resposta considerada ofensiva porque a demanda não era econômica, mas de diálogo. A reunião com o atual ministro Juan Pablo Perea foi mais produtiva, embora os operadores assegurem que ainda não houve contratações concretas.
A nova lei de desenvolvimento da mineração local colocou uma ferramenta no centro da discussão: o piso de 80% de mão de obra sanjuanina nos projetos. SOMPRA e AOMPE consideram que a norma pode reverter a exclusão, mas perguntam qual órgão fiscalizará seu cumprimento e como será aplicada. A demanda já não consiste apenas em ser recebidas; busca transformar a cota em contratações verificáveis dentro de uma indústria em expansão.
A capacitação acrescenta outro limite. A AOMPE informou que alugar uma máquina para as práticas custa seis milhões de pesos e que um curso para dez candidatos, a 70 mil pesos por pessoa, mal cobre a operação; ainda assim, formou 22 operadores em um mês com teoria de segurança e higiene e prática em equipamentos reais. Os dirigentes mantêm por enquanto as notas e o diálogo, mas advertiram que podem mudar de estratégia sem respostas. Os próximos passos serão o registro nacional da SOMPRA e, sobretudo, a fiscalização efetiva da cota local.