Axel Kicillof abriu na província de Buenos Aires um plenário do Frente Nacional Justicialista que reuniu prefeitos e dirigentes de diferentes partes do país. A atividade, apresentada como parte da federalização de seu espaço político, somou vozes que o projetam para a competição presidencial de 2027, embora o governador não tenha lançado lá uma candidatura formal.
O seminário foi intitulado “Peronismo X Peronistas: propostas para uma transformação nacional” e foi organizado pelo setor liderado pelo ex-prefeito de Florencio Varela Julio Pereyra. Participaram, entre outros, Enry Martínez, de Reconquista; Dante Velázquez, de La Quiaca; o neuquino Darío Martínez; Martín Barrionuevo, de Corrientes; e o vice-governador salteño Alberto “Gringo” Marocco.
Marocco afirmou que o peronismo deve primeiro organizar sua estrutura, depois definir as alianças e somente então escolher uma candidatura. Sua proposta colocou a discussão eleitoral dentro de uma sequência política ainda em aberto. Também destacou a necessidade de construir uma proposta federal com representação das províncias, um dos eixos com os quais o kicillofismo tenta ampliar sua presença fora de Buenos Aires.
O prefeito de Florencio Varela, Andrés Watson, reclamou que a seleção de candidatos não dependa de decisões individuais, uma ideia que ele resumiu com a expressão “O dedo não vai mais”, e defendeu as PASO como mecanismo para resolver a competição. A posição incorpora uma discussão interna relevante: enquanto diferentes figuras postulam publicamente Kicillof, os assessores não concordaram em um nome nem em um procedimento definitivo para a fórmula nacional.
A atividade foi integrada a uma agenda que já levou o governador ou seus aliados a Corrientes, Terra do Fogo, Chaco e Córdoba. Héctor Daer havia apoiado sua projeção durante uma visita a Chaco, e a organização analisa novas atividades, entre elas uma possível parada em Neuquén. No plenário não havia dirigentes identificados com o núcleo kirchnerista, uma ausência que também mostrou os limites atuais da convocação.
O encontro confirmou que Kicillof trabalha para instalar uma rede nacional de apoios e elaborar uma plataforma com dirigentes territoriais. No entanto, não resolveu a reorganização do Partido Justicialista, as alianças de 2027 nem a candidatura presidencial. Por enquanto, trata-se de uma etapa de acumulação política: sua tradução eleitoral dependerá de acordos internos, regras de seleção e adesões que ainda devem ser construídas.