O governador de Neuquén, Rolando Figueroa, apoiou a eliminação das PASO nacionais ao considerar que representam um gasto desnecessário e obrigam a cidadania a votar mais uma vez. A definição o coloca junto ao Governo nacional nesse debate, embora tenha esclarecido que seu bloco tomará posição sobre cada projeto de acordo com seu impacto na província.
Figueroa utilizou votações anteriores para descrever esse critério. Lembrou que seus representantes se opuseram a mudanças na Lei de Terras, abstiveram-se no tratamento da Lei de Glaciares e rejeitaram a designação diplomática de Lucila Crexell. Com esses antecedentes, procurou diferenciar o diálogo institucional de um alinhamento automático com a Casa Rosada.
Antes de se reunir com o chefe de Gabinete, Diego Santilli, o mandatário havia planejado conversar com o ministro da Economia, Luis Caputo. Um dos temas era uma proposta provincial para aliviar o endividamento familiar: os bancos cancelariam obrigações sob duas opções, uma taxa equivalente a UVA mais cinco pontos ou uma taxa fixa de 35%, conforme a apresentação antecipada.
O governador também manifestou apoio a uma reforma da Carta Orgânica do Banco Central orientada a impedir a emissão para financiar déficits. Ao mesmo tempo, afirmou que a Nação mantém uma dívida superior a 300 milhões de dólares com Neuquén e propôs compensá-la por meio de ativos, entre eles casas inacabadas de Centenario e terras de propriedade nacional.
Outro ponto foi a infraestrutura viária. Figueroa propôs estabelecer pedágios para financiar estradas, com isenção para os veículos registrados em Neuquén. É uma intenção de política pública que requer instrumentos normativos, definição de traçados e condições de implementação; a declaração não comprova que o sistema já esteja em operação. Em conjunto, as propostas mostram que a província tenta converter sua capacidade de negociação parlamentar em respostas sobre crédito, obras e patrimônio. Cada tema, no entanto, segue procedimentos diferentes e não pode ser considerado resolvido a partir de uma única audiência.
O apoio à eliminação das PASO também não transforma o projeto nacional em lei nem garante os votos do Congresso. A posição do governador combina coincidências institucionais com reivindicações fiscais e patrimoniais. Os encontros com Caputo e Santilli abrem uma negociação: o resultado deverá ser medido em acordos assinados, transferências ou normas, não apenas nas propostas apresentadas durante as reuniões.