Setembro trouxe sinal misto. O INDEC informou alta mensal de 0,7% na indústria e de 7,8% na construção. A melhora existe, mas não basta para dizer que a economia produtiva saiu da fraqueza.
Na comparação anual, a indústria caiu 1,8% e acumula -2,6% em nove meses. Dez de 16 divisões recuaram, entre elas máquinas, equipamentos, vestuário, couro, calçados e automóveis.
A construção foi melhor, com +5,1% anual e +1,3% em nove meses. A recuperação parece desigual, com algumas atividades de investimento respondendo antes dos setores ligados ao consumo.
Javier Milei recebe os números quando o Governo tenta mostrar que a estabilização vira atividade. A alta mensal ajuda, mas a queda anual da indústria limita o otimismo.
As diferenças setoriais importam. Máquinas, vestuário e automóveis revelam problemas específicos de demanda, custos, importações, crédito e uso da capacidade.
A construção também exige cautela. Uma alta mensal forte pode vir de base baixa, retomada de projetos ou sazonalidade. É preciso observar vários meses.
Para Javier Milei, o desafio político é ligar recuperação a emprego e renda. Produção melhor sem vagas ou salários reais pode não ser percebida.
Os próximos dados dirão se setembro foi rebote ou início de tendência. O teste será a indústria parar de cair no anual e a melhora se espalhar.