Os governadores de Salta, Gustavo Sáenz, e Misiones, Hugo Passalacqua, preparam a conformação de um novo bloco na Câmara dos Deputados. A bancada substituirá Innovación Federal e estará inicialmente integrada por sete legisladores de ambas as províncias. Sua apresentação foi prevista para quarta-feira 26 de agosto, antes de uma sessão com projetos relevantes para a Casa Rosada.
O espaço reuniria os missionários Oscar Herrera Ahuad, Alberto Arrúa, Yamila Ruiz e Daniel Vancsik, juntamente com os salteños Bernardo Biella, Pablo Outes e Yolanda Vega. Herrera Ahuad, ex-governador de Misiones, assumiria a presidência em substituição a Arrúa. As negociações ainda não estão fechadas e Claudio Álvarez, de San Luis, e Gerardo González, de Formosa, ficariam fora da nova estrutura.
A mudança central será o alinhamento direto com Passalacqua e Sáenz. No caso missioneiro, o movimento reduz a influência de Carlos Rovira sobre os representantes nacionais e transfere ao Congresso a disputa dentro da Frente Renovadora da Concordia. Os incentivadores sustentam que o bloco defenderá prioridades federais e regionais, ao invés de acompanhar assuntos definidos exclusivamente desde a Capital.
A nova bancada antecipou que negociará com o Executivo nacional lei por lei e que não oferecerá um apoio automático. Seus representantes afirmam que as conversas deverão girar em torno de políticas públicas e não apenas de transferências discricionárias. A possível eliminação das PASO permanece em aberto, mas poderia ficar sujeita a uma posição coletiva dos governadores e não a decisões provinciais isoladas.
O primeiro teste chegará com a reforma da Carta Orgânica do Banco Central e o projeto denominado Inocencia Fiscal II. Os missionários também buscarão incorporar uma redução do IVA sobre a farinha de mandioca, de 21% para 10,5%, como medida para sua economia regional. O antecedente imediato foi a rejeição de aliados provinciais a acompanhar uma parte da agenda oficialista vinculada à Lei de Terras.
A nota de conformação deverá ser apresentada às autoridades da Câmara dos Deputados e o bloco ainda não tem nome definitivo. Uma opção é Movimiento Por Lo Que Viene, denominação utilizada pelo espaço provincial de Passalacqua. Até que esse trâmite se concretize, trata-se de uma reorganização anunciada: sua capacidade de condicionar votações dependerá da coesão dos sete membros e de cada negociação parlamentar.