A negociação por 39 trabalhadores demitidos da Conarpesa ficou atravessada por uma condição alheia à reintegração. Fernando Álvarez Castellano, presidente da pesqueira de Puerto Madryn, disse que não participará das audiências convocadas pela Secretaria de Trabalho do Chubut se José Díaz, secretário sindical do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação, não fizer um exame toxicológico. O empresário prometeu passar pelo mesmo controle e divulgar publicamente o resultado.
A exigência surgiu depois que Díaz o acusou de consumir drogas, em um confronto que já havia incluído denúncia sindical por supostas ameaças telefônicas contra o dirigente. O conflito trabalhista começou com a demissão de 39 pessoas acusadas pela empresa de ocupar as instalações administrativas da fábrica em 15 de julho. A discussão sobre esses fatos foi deslocada por declarações pessoais que agora condicionam o espaço institucional de diálogo.
A audiência de conciliação da semana anterior não avançou porque a Conarpesa não enviou seus diretores. A companhia confirmou por escrito as 39 demissões e negou a existência de conflito coletivo. Luis Núñez, secretário-geral do STIA, classificou os desligamentos como arbitrários e afirmou que a nova exigência empresarial funciona como manobra para evitar audiências e não responder pela situação dos trabalhadores.
Os demitidos rejeitam a acusação de violência associada à presença nos escritórios. Vladimir Rodríguez, um dos afetados, afirmou que fotos e vídeos mostram um protesto pacífico. Explicou que a ação buscava o cumprimento de uma admissão sazonal acertada anteriormente. A maioria dos que perderam o posto é formada por trabalhadores efetivos descontínuos, alguns com até 17 anos de casa, e há muitas mulheres que dependem da pesca.
A Conarpesa também impugnou a conciliação obrigatória e sustenta que as demissões se justificam por falta grave. O sindicato e os funcionários aguardam decisão da Secretaria de Trabalho, enquanto Álvarez Castellano mantém que sua presença depende do exame exigido de Díaz. Assim, a empresa vincula sua participação em um procedimento trabalhista convocado pela província a uma disputa pessoal que não resolve nem a validade das demissões nem o pedido de reintegração.
O próximo movimento cabe à autoridade trabalhista do Chubut. Ela deverá decidir sobre a impugnação da conciliação e encaminhar um conflito no qual a empresa já faltou a uma audiência. Até essa definição, as 39 demissões seguem confirmadas, os trabalhadores sustentam que sua ação foi pacífica e o diálogo continua bloqueado por uma condição toxicológica que ocupou o centro de uma negociação originalmente destinada a discutir empregos.