Buenos Aires Indústria

Kicillof reúne o setor produtivo em Morón e denuncia uma ofensiva deliberada contra a indústria

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O governador bonaerense reuniu empresários, câmaras setoriais e sindicatos para questionar o programa econômico nacional. Verónica Magario apontou custos altos, importações e queda do consumo, enquanto Augusto Costa contabilizou 1.597 empresas fechadas e mais de 46.000 empregos industriais perdidos.

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Em 3 de setembro, Axel Kicillof reuniu empresários, representantes de câmaras setoriais e dirigentes sindicais no Parque Industrial Tecnológico Aeronáutico de Morón, transformando o encontro em uma defesa explícita do tecido fabril bonaerense. O governador sustentou que a deterioração industrial não é um acidente conjuntural, mas uma orientação deliberada do governo nacional, ligada ao fechamento de estabelecimentos, à perda de empregos e a uma profunda mudança da matriz produtiva argentina.

A intervenção buscou dar forma política a um diagnóstico que os setores convocados já sentem em seus balanços, níveis de atividade e quadros de pessoal. Kicillof afirmou que a situação piora mês a mês e que o rumo vigente não oferece sinais de recuperação. Em sua avaliação, o programa de Javier Milei procura reduzir o peso da indústria e redefinir a inserção internacional do país, com efeitos sobre soberania econômica, capacidade tecnológica e emprego.

O governador contrapôs esse caminho às políticas adotadas por outros países para proteger capacidades estratégicas. Assinalou que a política industrial é utilizada no mundo por razões produtivas, tecnológicas e de soberania, e rejeitou que a Argentina aceite uma especialização principalmente primária. Nesse marco, apresentou a indústria como base material do desenvolvimento e advertiu que menos fábricas também significam menos emprego formal, menos direitos trabalhistas e menor capacidade de sustentar cadeias nacionais de valor.

A vice-governadora Verónica Magario descreveu três pressões combinadas sobre as empresas: custos de produção elevados, abertura indiscriminada às importações e retração do consumo interno. Sua exposição levou o debate ao funcionamento cotidiano das plantas, onde a queda das vendas convive com maior dificuldade para absorver despesas. Magario reivindicou uma mudança profunda capaz de recuperar a produção, o emprego argentino e uma perspectiva de continuidade para as empresas atingidas.

Augusto Costa, ministro provincial da Produção, Ciência e Inovação Tecnológica, apresentou a dimensão numérica do diagnóstico. Ele afirmou que, desde a posse de Milei, 1.597 empresas fecharam na província de Buenos Aires e mais de 46.000 postos industriais foram perdidos. O ministro responsabilizou o governo nacional e contrapôs sua valorização de atividades especulativas ao esforço diário de quem sustenta fábricas, investimentos, fornecedores e empregos num cenário de demanda menor.

O encontro ocorreu sob o lema “Com produção e trabalho, há outro caminho”, sintetizando a tentativa provincial de articular empresários e sindicatos em torno de uma agenda comum. A convergência não elimina as tensões de cada setor, mas coloca em primeiro plano uma preocupação compartilhada: capacidades produtivas desmanteladas exigem tempo, crédito, conhecimento e demanda para serem reconstruídas. A reunião também funcionou como sinal político de apoio a quem mantém atividade em condições adversas.

Kicillof afirmou que o processo pode ser revertido, embora tenha advertido que a recuperação não será automática nem imediata. Defendeu políticas inteligentes e soberanas capazes de reindustrializar a economia e sustentou que as decisões públicas devem ser avaliadas por seus efeitos sobre a população, não por afinidades ideológicas ou pessoais. Com isso, procurou diferenciar a intervenção provincial da retirada nacional e apresentar Buenos Aires como espaço de proteção, coordenação e alternativa produtiva.

O desafio aberto é transformar essa coincidência política em instrumentos que preservem empresas e empregos enquanto continuar o programa nacional questionado. A administração bonaerense terá de manter o diálogo com câmaras e sindicatos, identificar os setores mais expostos e traduzir o diagnóstico em medidas dentro de suas competências e recursos. Para Kicillof, a discussão já não trata apenas de uma queda da atividade: define qual estrutura econômica e qual lugar para o trabalho industrial a Argentina terá.

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