A crise do transporte público da Área Metropolitana da Grande Resistência chegará esta semana à Legislatura do Chaco. A Comissão de Indústria da Câmara de Deputados convocou para terça-feira, 14 de julho, representantes das empresas prestadoras com o objetivo de revisar a deterioração do sistema e buscar alternativas que evitem um agravamento do serviço.
A reunião reunirá empresários, legisladores e, possivelmente, funcionários do governo provincial. Também foi convidado o subsecretário de Transporte, José Luis Picaluk, cuja presença ainda aguardava confirmação. A convocação partiu da presidente da comissão, Katia Blanc, após uma sucessão de reclamações de usuários afetados pela suspensão de linhas e pela perda de regularidade nas frequências.
O ponto mais visível do conflito foi a decisão da ERSA de interromper a prestação da linha 2 e do ramal 106 BC. Essa medida deixou numerosos bairros da Grande Resistência sem cobertura direta e obrigou muitos moradores a caminhar vários quarteirões para alcançar outros trajetos ou a pagar remises e aplicativos de transporte para resolver deslocamentos cotidianos.
O problema, no entanto, é mais amplo do que uma suspensão pontual. Desde o ano passado, várias companhias do sistema começaram a recorrer a Processos Preventivos de Crise diante do aumento dos custos operacionais, da queda de receitas e da falta de recursos para enfrentar salários e manutenção das unidades. ERSA Urbano e TCM aplicaram suspensões rotativas e reduções de jornada, enquanto San Fernando comunicou que iniciará um procedimento semelhante perante a autoridade trabalhista provincial.
A tensão financeira também atingiu outras operadoras. Tiro Federal, Cordial SRL e Microbús SRL iniciaram concursos preventivos de credores, um sinal da profundidade do desequilíbrio que atravessa o transporte metropolitano. No fundo do quadro aparece a retirada do financiamento nacional ao transporte urbano do interior, que transferiu maior pressão às províncias sem compensação suficiente para sustentar o sistema.
O governo do Chaco advertiu que nenhuma concessionária pode abandonar unilateralmente a prestação e anunciou controles sobre trajetos e frequências. A expectativa agora está em que a mesa convocada na Legislatura permita ordenar informações, aproximar posições e abrir um esquema de consensos antes que o serviço entre em uma fase de deterioração ainda mais difícil de reverter.