A causa do fentanil contaminado voltou a escalar politicamente depois que uma das ex-funcionárias detidas envolveu o ministro da Saúde, Mario Lugones. A declaração instalou uma frase de forte impacto institucional: segundo essa versão, as decisões eram tomadas depois de consultar o ministro.
A acusação aparece em uma investigação que já havia abalado o sistema de saúde pela comercialização de ampolas contaminadas que chegaram a hospitais, clínicas e sanatórios. A causa examina responsabilidades por falhas de controle sobre medicamentos de uso crítico e pela circulação de produtos que não deveriam ter chegado ao mercado.
As detidas são Nélida Bisio, ex-autoridade da ANMAT, e Gabriela Fumadó, que esteve à frente do Instituto Nacional de Medicamentos. Ambas estão sob análise pelo papel que cumpriam nos controles regulatórios sobre laboratórios e produtos medicinais, uma função essencial quando se trata de fármacos de alto risco.
O novo capítulo desloca o eixo da responsabilidade técnica para a cadeia de decisão política. Se medidas sensíveis passavam por consulta ministerial, a investigação pode avançar sobre como alertas, inspeções, atrasos e decisões administrativas circulavam dentro do Ministério da Saúde.
O caso também recoloca em discussão a capacidade do Estado de fiscalizar laboratórios, reagir a desvios de qualidade e retirar medicamentos perigosos de circulação. Em uma tragédia sanitária associada a dezenas de mortes, cada demora administrativa ganha outro peso e pode se transformar em matéria judicial.
Para o Governo, o problema já não se limita a explicar o que falhou na ANMAT ou no INAME. A declaração que aponta para Lugones abre uma pergunta mais ampla: até onde chegou a informação disponível na condução política da Saúde e quais decisões foram tomadas enquanto o fentanil contaminado seguia sob investigação.