Axel Kicillof se incorporou à mobilização diante do Congresso enquanto o Senado discutia o projeto de Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada. O governador bonaerense chegou acompanhado por integrantes do gabinete, prefeitos e militantes e decidiu apoiar nas ruas organizações sociais, sindicatos, grupos políticos, movimentos de inquilinos, docentes e moradores autoconvocados. A presença provincial buscou manter a rejeição mesmo depois de o governo alterar um dos pontos de maior resistência.
O Governo nacional retirou o capítulo que pretendia elevar de 15% para 25% o limite de terras rurais em mãos estrangeiras, diante da falta de consenso político para aprová-lo. Kicillof apresentou o recuo como resultado da reação social, mas advertiu que o conflito não estava encerrado. Para ele, a retirada do trecho fundiário não corrigia o restante de uma iniciativa que ainda prejudicava direitos e recursos estratégicos.
O protesto manteve como alvos principais as mudanças previstas para despejos e para a Lei de Manejo do Fogo. As organizações mobilizadas questionaram a redução das garantias para pessoas que enfrentam litígios habitacionais e rejeitaram a flexibilização das restrições sobre áreas produtivas e pastagens atingidas por incêndios. Assim, a convocação passou do foco na estrangeirização da terra para a discussão do alcance integral da norma.
Durante a marcha, Kicillof definiu a mobilização como uma reação transversal e afirmou que diferentes setores compreenderam o sentido do programa presidencial. Também acusou Javier Milei de querer vender e fragmentar o território argentino. Essas declarações expressaram a posição política do governador e dos manifestantes; a mudança comprovável no trâmite parlamentar era a retirada do capítulo de Terras e a continuidade do debate sobre as demais disposições.
A jornada teve momentos de tensão junto às grades do Congresso. O operativo federal usou caminhões hidrantes, spray de pimenta e balas de borracha para dispersar manifestantes em diferentes pontos. As transmissões de televisão mostraram pessoas afetadas pelo gás e alguns feridos, enquanto participantes denunciaram repressão. Os incidentes ocorreram com a sessão em andamento e acrescentaram outro foco político a um debate já atravessado pela pressão de governadores, legisladores e organizações.
O Senado continuou analisando o projeto sem o trecho que ampliava a posse estrangeira de terras rurais. A votação dos capítulos restantes tornou-se o passo decisivo para saber se as objeções sobre despejos, desapropriações e manejo do fogo provocariam novas mudanças. Kicillof deixou claro que a Província manteria sua oposição, enquanto a mobilização tratou o recuo parcial do governo como ponto de partida, e não como encerramento do conflito.