O microcentro de San Fernando del Valle de Catamarca acumula locais fechados, especialmente na Peatonal Rivadavia e nos arredores da Plaza 25 de Mayo. A sucessão de persianas baixas ativou uma discussão sobre o consumo, os custos do comércio formal e o crescimento das feiras. Embora os testemunhos falem de numerosos fechamentos, não existe nas informações disponíveis um número consolidado que meça sua quantidade.
Os aluguéis aparecem entre as despesas mais difíceis de sustentar. Comerciantes estimaram entre dois e seis milhões de pesos mensais o custo de um pequeno estabelecimento no centro, enquanto as contas de eletricidade e água podem superar meio milhão de pesos. A isso se somam impostos, licenças e salários. A combinação eleva o limite de vendas necessário para manter um estabelecimento aberto.
A mudança nas compras agrava essa equação. As famílias priorizam alimentos e bens essenciais, reduzindo a demanda por roupas, joias e outros produtos adiáveis. Um comerciante com mais de duas décadas na rua de pedestres explicou que as datas especiais ainda geram movimento, enquanto um vendedor de bazar descreveu dias de alta demanda graças a artigos pequenos e de baixo preço. A crise, portanto, afeta de modo desigual os setores.
A expansão das feiras concentra parte da controvérsia. Os comércios autorizados questionam diferenças tributárias e de custos, mas alguns de seus próprios representantes reconhecem que os feirantes também pagam para trabalhar, vendem ao ar livre e recorrem a essa atividade como fonte de renda familiar. A disputa não opõe simplesmente negócios viáveis a vendedores sem despesas: reúne modelos com obrigações e vulnerabilidades distintas.
O debate chegou ao Conselho Deliberativo. Eleonora Sopaga, de La Libertad Avanza, questionou a rejeição municipal a um projeto para digitalizar trâmites e permissões de feirantes. Também atribuiu a empreendedores denúncias por maus-tratos e cobranças de 10.000 pesos mensais para conservar lugares na Plaza 25 de Mayo. São acusações políticas e testemunhais que requerem uma resposta institucional antes de serem consideradas comprovadas.
Diego Figueroa propôs que um imóvel desocupado também pode abrir uma oportunidade para outra atividade e citou a substituição de uma sorveteria por uma padaria. Essa possibilidade não elimina a perda anterior nem demonstra uma recuperação geral. O próximo resultado verificável deverá surgir de um levantamento de locais ocupados e vazios, juntamente com regras transparentes para feiras e autorizações. Até lá, a crise é medida por sinais visíveis e testemunhos, não por uma estatística fechada.