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As três agências de rating convergem para B: a dívida argentina não está mais à beira do calote

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A Moody's elevou o rating soberano para B3 e completou o conjunto completo de upgrades das três principais agências de rating. O risco país caiu para 410 pontos e as agências projetam crescimento de 3,4% para 2026, sinalizando que a economia argentina consolidou sua estabilização.

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A Moody's Ratings elevou nesta terça-feira a classificação da dívida soberana de longo prazo da Argentina de Caa1 para B3 e mudou a perspectiva de estável para positiva, completando assim uma sequência de upgrades das três principais agências internacionais de risco. A decisão coloca a Moody's em linha com a Fitch Ratings e a S&P Global Ratings, que também haviam melhorado a classificação do país entre maio e junho, e representa a primeira vez em mais de uma década que as três convergem para o mesmo nível de avaliação.[reference:85][reference:86]

Em seu relatório, a agência afirmou que a melhoria reflete que "as probabilidades de default diminuíram materialmente" e que o programa econômico permitiu avançar de uma fase inicial de estabilização para uma melhoria mais duradoura do perfil de crédito do país.[reference:87] A Moody's destacou a consolidação do equilíbrio fiscal, a desaceleração da inflação e a implementação de reformas econômicas que reduziram os desequilíbrios macroeconômicos. O governo conseguiu construir um histórico de superávits fiscais, eliminou o financiamento monetário do déficit e avançou em um processo de liberalização econômica que permitiu recuperar a confiança e reduzir a volatilidade.[reference:88]

A melhoria na frente externa constitui uma das principais mudanças estruturais da economia argentina, segundo a agência. A Moody's destacou o crescimento esperado das exportações de energia e mineração, o maior influxo de investimentos e uma acumulação gradual de reservas internacionais. Esses fatores fortalecem a capacidade de pagamento da dívida soberana e reduzem a vulnerabilidade externa que historicamente caracterizou a economia argentina.[reference:89] A agência também projetou que o Produto Interno Bruto crescerá 3,4% em 2026 e 3,5% em 2027, impulsionado por uma recuperação do consumo e do investimento privado.[reference:90]

Ao contrário da Fitch e da S&P, que mantêm uma perspectiva estável, a Moody's mudou a perspectiva para positiva. Essa decisão reflete a possibilidade de uma nova melhoria se o país continuar a fortalecer suas contas externas, aumentar as reservas internacionais e consolidar as reformas estruturais atualmente em andamento. No entanto, a agência alertou que a continuidade do processo dependerá da manutenção da disciplina macroeconômica e da preservação do consenso político necessário para aprofundar as reformas até 2027.[reference:91]

Em maio, a Fitch Ratings havia elevado a classificação da dívida soberana argentina para B-, considerando que o programa econômico havia reduzido os desequilíbrios fiscais e monetários e melhorado a disponibilidade de divisas. Semanas depois, a S&P Global Ratings também elevou a classificação de CCC+ para B-, destacando uma menor percepção de risco sobre a capacidade de pagamento do país graças ao equilíbrio fiscal, à queda da inflação e à normalização do mercado cambial.[reference:92] Agora, a Moody's elevou sua classificação para B3, equivalente ao B- usado pela Fitch e S&P, de modo que as três agências convergem para o mesmo nível de avaliação para a dívida soberana argentina.[reference:93]

Embora o país continue no segmento de grau especulativo, a coincidência entre as três principais agências de classificação representa um sinal de melhoria na percepção internacional sobre o risco de crédito argentino.[reference:94] A PUENTE Research comentou que a decisão da Moody's "coloca a agência em linha com a Fitch e a S&P", embora tenham notado uma diferença importante: é a única das três que deixou uma perspectiva positiva, o que abre a porta para novas melhorias na classificação se o processo de estabilização macroeconômica continuar.[reference:95]

Os analistas consideram que o impacto sobre os títulos deve ser limitado, uma vez que o mercado "já havia descontado" boa parte dessa melhoria quando a Fitch e a S&P elevaram anteriormente a classificação da dívida.[reference:96] No entanto, Tobias Sanchez, gerente de portfólio da Cocos Capital, argumentou que o fato mais relevante é que "o três de três está completo", com as três grandes agências de classificação melhorando a nota da Argentina até agora neste ano. Para Sanchez, quando as três agências "apontam na mesma direção, o sinal deixa de ser um dado isolado e passa a ser uma tendência".[reference:97] A principal mudança, em sua opinião, confirma que "a Argentina deixou de ser o país à beira do calote" e começou a mostrar uma melhoria apoiada na ordem fiscal e em uma frente externa fortalecida pela energia, mineração e acúmulo de reservas.[reference:98]

O risco país caiu para 410 pontos após o anúncio, consolidando a queda que coloca o indicador soberano no limiar de romper os 400 pontos.[reference:99] Cada melhoria na classificação amplia o universo de fundos internacionais habilitados a investir em ativos argentinos.[reference:100] No entanto, os analistas alertam que o país continua no universo da dívida de alto risco e que o desafio decisivo será sustentar o rumo econômico e político até 2027.[reference:101]

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