Chaco Economia

Pymes do Chaco fecham o semestre em queda de 6,7% apesar do alívio mensal de junho

Compartilhar
Facebook X LinkedIn WhatsApp

O índice da Federação Econômica do Chaco mediu queda anual de 4,1% em junho e alta mensal dessazonalizada de 1,1%. A reação se concentrou em três setores e dependeu de sazonalidade, crédito específico e atividade agropecuária.

Ouvir este artigo

Pronto para ouvir

A atividade das pequenas e médias empresas do Chaco encerrou o primeiro semestre de 2026 com contração acumulada de 6,7%, embora junho tenha trazido a segunda melhora mensal consecutiva. O Índice Pyme da Federação Econômica do Chaco registrou queda anual de 4,1% e avanço dessazonalizado de 1,1% sobre maio. O alívio existe, mas ainda não permite falar em recuperação.

A composição do dado explica a cautela. Dos sete setores pesquisados, quatro continuaram em baixa anual e três cresceram. Os avanços não vieram de recomposição geral da renda: estiveram ligados ao abono semestral, Dia dos Pais, Copa do Mundo, ferramentas pontuais de financiamento e ciclo agropecuário. Comércios e prestadores sustentaram vendas com promoções, descontos, combos e cartões, abrindo mão de margem para preservar volume.

A indústria de transformação foi o setor mais comprometido: caiu 15,7% ante junho de 2025, acumulou baixa de 12,1% no semestre e recuou 1,9% sobre maio. Não registra um mês positivo há dezoito meses. As empresas descrevem custos fixos altos, vendas insuficientes e dificuldade para renovar máquinas porque não conseguem pagar parcelas nem cheques, combinação que bloqueia o investimento necessário para sair da queda.

Alimentos e bebidas recuaram 9,6% no ano e 8,8% no acumulado, perdendo em junho parte da melhora de abril e maio. Serviços pessoais e profissionais caíram 8,9% porque famílias e empresas adiam prestações quando ajustam renda. Farmácia e perfumaria cederam 6,9%, menos por menor necessidade de medicamentos do que pela migração das compras para canais informais, comércio eletrônico e grandes redes.

Os três setores em crescimento expõem a fragilidade da reação. Calçados, vestuário e têxteis subiram 4,4% com o inverno e datas comerciais, mas ficaram quase neutros no semestre e enfrentam contrabando. Combustíveis avançaram 6% com o agro, porém desaceleraram. Ferragem, construção, bazar, lar e móveis saltaram 7,5%, apoiados decisivamente pelo programa Chaco Construye com o cartão Tuya.

O clima empresarial combina esperança com pouca capacidade de agir. Cerca de 47,6% esperam melhora nos próximos doze meses e só 5,8% antecipam piora, mas 43,3% dizem que este não é um bom momento para investir, contra 29,8% que pensam o contrário. A diferença mostra firmas imaginando cenário mais favorável enquanto operam com pouca liquidez, tarifas, impostos e aluguéis crescentes e concorrência informal dos países vizinhos.

A próxima medição deverá mostrar se a alta mensal de junho iniciou tendência ou captou estímulos temporários que não se repetem todos os meses. A continuidade do Chaco Construye, o ritmo da campanha agropecuária e o poder de compra serão decisivos. Enquanto expectativas melhoram mais rápido que o investimento, o semestre deixa um alerta: a queda moderou, mas quatro setores ainda produzem e vendem menos que um ano atrás.

Etiquetas do artigo