A oposição de Mendoza questionou a decisão do governo de Alfredo Cornejo de manter em um fundo anticíclico os ARS 325.000 milhões recebidos como adiantamento da repartição nacional. O ministro da Fazenda, Víctor Fayad, defendeu a reserva como uma prática destinada a cobrir descompassos financeiros e eventuais contingências climáticas. As críticas abriram uma disputa sobre a origem, o valor realmente disponível e as prioridades de uso, mas ainda não resultaram em uma realocação formal.
O adiantamento foi desembolsado pela Nação em três parcelas: ARS 100.000 milhões em abril, ARS 175.000 milhões em maio e ARS 50.000 milhões em agosto. O convênio prevê devolução mediante retenções sobre recursos de participação e uma taxa nominal anual de 15 %. O Executivo provincial o mantém como margem de manobra frente a quedas de receita e despesas difíceis de ajustar rapidamente. Essa explicação financeira coexiste com reivindicações municipais por recursos preventivos diante do fenômeno denominado Super Niño.
Adriana Cano, chefe do bloco do PJ no Senado provincial, afirmou que um fundo anticíclico deveria ser constituído com excedentes de arrecadação e não com empréstimos ou adiantamentos. Lembrou ainda que o Mendoza obteve autorização legislativa para contrair dívida de mais de ARS 400.000 milhões em abril. Sua leitura é que o adiantamento fortaleceu o caixa e a posição de negociação de Cornejo perante a Nação. Trata-se de uma avaliação da oposição, e não de uma conclusão contábil ou judicial sobre a legalidade da operação.
Lucas Ilardo, titular do bloco de Força Pátria na Câmara dos Deputados, concentrou sua objeção no pagamento de salários públicos. Afirmou que ao meio-dia do 31 de agosto os vencimentos ainda não haviam sido depositados e criticou que o Governo retivesse fundos enquanto os trabalhadores aguardavam. A controvérsia combina disponibilidade financeira e calendário salarial. Para avaliar o episódio, deverão ser verificadas a data efetiva de crédito, as obrigações orçamentárias e a liquidez disponível, sem assumir que todo saldo em caixa pode ser usado indiscriminadamente.
Jorge Difonso, da La Unión Mendocina, discutiu também o valor. Sinalizou que ARS 80.000 milhões já teriam destino em obras nas rotas 40 e 143, como parte da compensação de dívidas com a Nação. Por isso afirmou que o fundo não estaria composto inteiramente por ARS 325.000 milhões livres. Também reclamou que os recursos sejam aplicados em prevenção climática, emergência econômica e programas de reativação, com participação dos municípios.
O debate expõe várias categorias que não devem ser misturadas. Um adiantamento de coparticipação é um financiamento a ser devolvido; uma reserva anticíclica é um mecanismo para administrar riscos; uma verba destinada a rotas reduz a disponibilidade; e uma despesa municipal requer um instrumento de transferência. Conhecer o saldo bancário não é suficiente para determinar o valor utilizável: são necessários compromissos, cronograma de reembolso, rendimentos, autorizações e regras de destinação.
O controle posterior deverá reconstruir quanto permanece líquido, qual parte foi comprometida, onde está investida e sob qual norma será decidido seu uso. Também caberá verificar se o Senado ratifica os acordos de compensação e reprogramação com a Nação. A publicação de rendimentos e vencimentos permitirá distinguir preservação de valor de uma decisão especulativa, categoria utilizada pela oposição, mas não comprovada no anúncio. Os municípios, por sua vez, precisarão saber se poderão acessar mediante transferências automáticas, convênios ou programas concorrenciais. A posição oficial é manter capacidade de resposta; as oposições pedem priorizar salários, municípios e prevenção. O dado confirmado é a reserva do adiantamento e a controvérsia política. O destino final de cada peso continuará em aberto até que existam atos administrativos e execuções orçamentárias verificáveis. Também será necessário distinguir economia transitória de afetação definitiva, porque essa diferença condiciona quanto o Executivo pode comprometer.