Buenos Aires Política

Kicillof e Ziliotto coordenaram ações diante de El Niño e reclamaram fundos nacionais

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Os governadores de Buenos Aires e La Pampa assinaram acordos para compartilhar monitoramento hídrico e projetar obras frente ao risco climático. Também reclamaram a execução do Fondo Hídrico e dos ATN, mas não anunciaram novos desembolsos nacionais

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Axel Kicillof e Sergio Ziliotto concordaram em coordenar ações entre Buenos Aires e La Pampa para reduzir os efeitos do fenômeno El Niño sobre a região compartilhada. O encontro foi realizado em Santa Rosa e incluiu a assinatura de acordos em matéria hídrica e em outras áreas de gestão. Os mandatários aproveitaram a atividade para reclamar ao Governo nacional recursos destinados à infraestrutura e à atenção de emergências. A reunião produziu compromissos interprovinciais concretos, mas não uma transferência de fundos nacionais nem a adjudicação imediata de novas obras.

O acordo hídrico prevê projetar intervenções de forma conjunta, melhorar a gestão integrada do recurso e compartilhar em tempo real registros hidrométricos e pluviométricos. Também contempla fortalecer a coordenação frente a eventos climáticos que possam afetar simultaneamente ambas as províncias. Esse desenho reconhece que a água não respeita limites administrativos e que as decisões de uma jurisdição podem modificar riscos a montante ou a jusante. No entanto, o anúncio ainda não precisou orçamentos, localização das obras, prazos de execução nem mecanismos para repartir custos.

Kicillof afirmou que o governo nacional mantém sem executar ARS 290.000 milhões do Fondo Hídrico, arrecadados por meio do imposto sobre os combustíveis líquidos. Segundo sua argumentação, esses recursos deveriam ser aplicados em obras contra enchentes e não permanecer imobilizados ou investidos em instrumentos financeiros. Também afirmou que a Nação retém ARS 2,1 trilhões correspondentes ao fundo de Contribuições do Tesouro Nacional. Ambos os valores fizeram parte de uma acusação política das províncias e não de um anúncio oficial de liberação, transferência ou reconhecimento de dívida por parte da Casa Rosada.

A visita teve também uma dimensão federal e eleitoral. Kicillof voltou a sair de Buenos Aires acompanhado por ministros de Infraestrutura, Desenvolvimento da Comunidade, Segurança e Governo, enquanto Ziliotto reuniu funcionários e representantes legislativos pampeanos. O governador bonaerense ainda não confirmou uma candidatura presidencial para 2027, e os governadores peronistas também não proclamaram um candidato comum. Seus movimentos, acordos e percursos ampliam sua visibilidade nacional, mas não devem ser apresentados como um lançamento formal inexistente.

Os mandatários reafirmaram o convênio-quadro assinado em 28 de junho de 2024 e adicionaram acordos sobre desenvolvimento social, saúde, turismo, segurança e colaboração entre bancos públicos. Essa amplitude mostra uma estratégia de cooperação que excede a emergência climática. Ao mesmo tempo, a eficácia de cada rúbrica dependerá de programas, responsáveis, verbas e metas verificáveis. Assinar um instrumento cria uma base administrativa para trabalhar; não demonstra que as obras estejam financiadas, contratadas ou concluídas.

Na conferência posterior também surgiu o debate sobre as PASO. Kicillof explicou que dirigentes e chefes de blocos do peronismo concordaram em defender as primárias diante da iniciativa oficialista de eliminá-las. Questionou que o chefe de Gabinete, Diego Santilli, vincule suas viagens pelas províncias à busca de apoios para a reforma eleitoral. O questionamento conecta federalismo fiscal e regras de competição, mas são discussões diferentes: uma modificação eleitoral requer votos legislativos e as reivindicações de fundos dependem de normas orçamentárias e decisões administrativas.

O acompanhamento deverá separar prevenção, financiamento e posicionamento político. No plano climático será necessário identificar as obras priorizadas, o sistema de intercâmbio de dados e os protocolos de emergência. No fiscal, caberá verificar a existência, disponibilidade e destino dos fundos reclamados, junto com qualquer resposta nacional. No eleitoral, será necessário distinguir a coordenação peronista da candidatura presidencial. A comunicação de dados em tempo real também exigirá critérios comuns de medição, responsáveis técnicos e canais de alerta compreensíveis para municípios e população. O fato verificável é que Buenos Aires e La Pampa formalizaram cooperação e apresentaram uma reivindicação comum; o dinheiro nacional e as intervenções materiais continuam pendentes.

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