O governador de Salta, Gustavo Sáenz, questionou a velocidade de resposta do Governo nacional diante das necessidades imediatas da população. Sustentou que os tempos políticos de Javier Milei não coincidem com os da população e concentrou sua reclamação no custo da eletricidade no Norte, no estado das estradas e nas responsabilidades que a Nação transferiu para as províncias.
Sáenz explicou que os governadores do Norte Grande acompanharam uma redução de subsídios para zonas frias com a condição de que fosse criado um benefício equivalente para as regiões quentes. Seu argumento é que o maior consumo de energia não depende apenas do aquecimento: nas províncias do norte, as altas temperaturas obrigam a usar ar-condicionado e aumentam o gasto elétrico das famílias.
A Secretaria de Energia analisa uma resolução que subsidiaria entre o 50% e o 80% do custo da eletricidade para usuários localizados em zonas quentes ou muito quentes. O mandatário salteño afirmou que a reclamação corresponde aos usuários e não a um governador em particular. Também pediu que o esquema se baseie em critérios objetivos e permanentes, para evitar que uma medida transitória deixe o mesmo problema em aberto mais adiante.
O governador vinculou a discussão tarifária a uma transferência mais ampla de obrigações. Ele apontou que as administrações provinciais assumiram a manutenção de estradas, incentivos a professores e fornecimento de medicamentos, apesar de contarem com recursos limitados. Alertou que esse acúmulo reduz a capacidade de resposta local e afirmou que as províncias não podem continuar cobrindo cada função que deixa de ser financiada pelo Estado nacional.
Sáenz foi especialmente crítico com as rodovias nacionais. Afirmou que elas estão há dois anos e meio sem manutenção suficiente, embora os contribuintes paguem um imposto destinado à sua conservação. A proposta une assim o deterioro viário com uma discussão fiscal: as províncias reclamam que os recursos com destinação específica se traduzam em obras ou que a Nação explique como atenderá essas responsabilidades.
A resolução energética ainda está em análise e não foi apresentada como uma decisão definitiva. Também não foram anunciadas nessas declarações novas verbas para rodovias, medicamentos ou educação. O resultado político é uma reivindicação do Norte Grande por regras estáveis, equidade territorial e financiamento, acompanhado pelo aviso de que os governos provinciais atingiram um limite para absorver tarefas nacionais.