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Banco Mundial reabre o debate sobre o custo industrial da Terra do Fogo

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Um relatório do Banco Mundial questionou o regime promocional da Terra do Fogo por seu custo fiscal, os ganhos produtivos limitados e a falta de uma transição clara.

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O regime de promoção industrial da Terra do Fogo voltou ao centro do debate econômico argentino depois que o Banco Mundial o apresentou como um caso fracassado de política industrial. A crítica mira o custo fiscal do esquema, a falta de resultados em produtividade e a limitada capacidade do modelo de gerar uma base produtiva exportadora sólida.

A avaliação retoma o regime criado pela lei 19.640 em 1972, pensado originalmente para povoar e desenvolver o extremo sul argentino. No plano demográfico, o balanço parece favorável: a população da Terra do Fogo passou de 13.500 habitantes em 1970 para cerca de 190.000 em 2022. A discussão atual, porém, já não gira apenas em torno do povoamento, mas da qualidade e da sustentabilidade da estrutura produtiva consolidada em torno dos incentivos.

O relatório adverte que o apoio prolongado sem procedimentos claros de redução nem exigências de desempenho pode acabar gerando incentivos perversos. A última extensão do regime, aprovada em 2021 e vigente até 2038, aparece nesse contexto como parte do problema: preservou benefícios, mas sem estabelecer uma transição produtiva nem condições verificáveis de melhoria tecnológica, produtividade ou exportações.

A dimensão fiscal ocupa lugar central na crítica. O custo anual estimado do regime foi colocado em torno de 1,07 bilhão de dólares, equivalente a 0,22% do Produto Interno Bruto. Essa magnitude foi comparada com rubricas sensíveis do Estado nacional, como o orçamento do Conicet e o gasto público em Ciência e Tecnologia, para mostrar o peso do esquema sobre as contas públicas.

O diagnóstico também alcança o consumidor. A proteção aplicada durante décadas à indústria eletrônica fueguina teria sustentado preços mais altos em determinados bens, sem que esse esforço se traduzisse em saltos equivalentes de qualidade, inovação ou inserção externa. Para o Banco Mundial, o caso mostra os limites de uma política industrial que mantém benefícios sem uma rota de saída nem metas exigíveis.

A discussão deixa a Terra do Fogo diante de uma tensão de fundo: defender uma estrutura que explica emprego, população e atividade econômica na província, ou rever um modelo questionado por seu custo e seus resultados. O debate já não se limita à continuidade formal do regime, mas a saber se ele pode se transformar em uma ferramenta de desenvolvimento competitivo sem romper o equilíbrio social e territorial que ajudou a construir.

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