O governo da província de Buenos Aires analisa um conjunto de indicadores que mostram uma evolução menos linear do que a discussão política sobre a insegurança. Os homicídios dolosos caíram de 451 entre janeiro e agosto de 2025 para 434 no mesmo período de 2026, uma redução de 3,8%. Essa série não sustenta a ideia de um aumento generalizado da violência letal, embora também não descreva por si só a situação social.
Os assassinatos cometidos durante roubos diminuíram de 47 para 39, uma 17%, e os feminicídios passaram de 33 para 24, uma queda de 27,3%. Por outro lado, os acertos de contas aumentaram de 80 para 84 e as brigas letais de 97 para 105. As variações obrigam a distinguir entre categorias e a evitar que um único indicador seja apresentado como explicação completa do fenômeno.
A preocupação provincial desloca-se para sinais menos visíveis: violência intrafamiliar, saúde mental e redes criminosas que oferecem empréstimos informais a famílias com dificuldades. Os relatórios citam um aumento nacional de suicídios de 4.249 em 2024 para 5.209 em 2025 e uma taxa bonaerense que passou de 10,8 para 11,9 por cada 100.000 habitantes. As autoridades esclarecem que esses dados não provam uma causalidade econômica direta.
A análise alcança a Policía Bonaerense. Nos registros internos de 2024 e 2025, o 80% dos efetivos que morreram por suicídio tinha menos de 40 anos, o 75% pertencia a escalões inferiores e o 70% acumulava menos de dez anos na força. A taxa estimada foi de 45 casos a cada 100.000 efetivos, um nível que impulsiona a revisão de condições de trabalho e prevenção.
A agenda se complica com a futura aplicação do novo regime penal juvenil e do sistema acusatório federal em La Plata. A primeira mudança requer adesão provincial; a segunda transferirá a investigação para os promotores em uma jurisdição que compreende 45 partidos. Um cálculo técnico citado pela administração estima que seriam necessárias pelo menos 56 procuradorias federais criminais e 21 defensorias adicionais.
Também aumentou a população privada de liberdade sob responsabilidade provincial: passou de 58.917 pessoas no final de 2023 para 66.493 em 16 de julho de 2026. Ao mesmo tempo, os detidos em delegacias caíram de 2.368 para 1.579. O diagnóstico oficial, portanto, não é o de uma explosão criminal já consumada, mas o de tensões sociais que exigem respostas sanitárias, judiciais, penitenciárias e territoriais coordenadas.