A legisladora provincial Martina Lacour questionou o alcance atribuído pelo governador Alberto Weretilneck à transferência da avenida Bustillo. Segundo explicou, a lei aprovada pela Legislatura de Río Negro cede ao município de Bariloche a manutenção, a gestão operacional e a administração viária, mas não transfere a propriedade patrimonial nem a titularidade do solo.
Lacour sustentou que o Estado nacional nunca formalizou previamente a transferência da propriedade para a Província e que, por essa razão, Río Negro não poderia ceder ao município um domínio que não possui. Lembrou que o legislador Carlos Valeri reconheceu durante a sessão a inexistência dessa transferência de domínio. A controvérsia surgiu depois que peças oficiais apresentaram a artéria como propriedade da comunidade barilochense.
A parlamentar relacionou a mudança operacional com a falta de investimentos estruturais. Sinalizou que a pavimentação integral mais recente foi realizada antes da Cumbre Iberoamericana de 1995 e descreveu deterioração nas bordas da via e ausência de sinalização horizontal em setores perigosos. Sua posição é que o município recebe uma responsabilidade de manutenção sem que a Província tenha realizado previamente uma intervenção integral.
Também mencionou atrasos nas obras para os primeiros quatro quilômetros da avenida e no novo terminal de ônibus. Sobre este último, afirmou que as verbas tiveram que ser incorporadas ao orçamento provincial após uma omissão inicial, apesar de que compromissos financeiros da concessionária do cassino deveriam cobrir a infraestrutura. Essas observações fazem parte de sua crítica mais ampla ao investimento provincial em Bariloche.
A entrevista incluiu também a passagem para quadro permanente de 4.160 trabalhadores estatais. Lacour explicou que votou contra porque o projeto não incorporou um relatório de custo fiscal nem uma folha de pagamento detalhada dos candidatos. Acrescentou que, durante os primeiros seis meses, já havia sido consumido o 60% da dotação anual de pessoal e alertou que algumas regularizações gerariam contribuições patronais e obrigações futuras.
Lacour, integrada politicamente à La Libertad Avanza junto com César Domínguez e Marcela Abdala, apresentou ambas as discussões como assuntos de controle dos fundos públicos. A aclaração sobre Bustillo não anula a transferência operativa aprovada: delimita seu alcance e contesta a comunicação do Executivo. A execução concreta dependerá de como a Província e o município implementem manutenção, administração, responsabilidades e investimentos sobre a avenida.