A agenda legislativa do Governo chegou ao Congresso como um conjunto amplo, mas avança em peças separadas e com destinos muito diferentes. Reforma eleitoral, mudanças no Banco Central, regulação do lobby, saúde mental, rotulagem frontal, venda de terras a estrangeiros, Lei Hojarasca e subsídios da Zona Fria dependem de alianças distintas. Nesse mapa fragmentado, apenas as 25 indicações judiciais enviadas pelo Executivo aparecem com um caminho livre.
A reforma eleitoral, apontada como prioridade de Karina Milei e da La Libertad Avanza, parou após as primeiras discussões. O oficialismo não conseguiu acertar mudanças concretas nem reunir o apoio dos governadores, que condicionam qualquer aval a negociações prévias. Sem essa ponte com as províncias, a proposta carece, por enquanto, de base suficiente para continuar seu percurso parlamentar.
A reforma do Banco Central está em estágio ainda mais preliminar: não existe apresentação formal nem data de debate. Ao seu lado, os projetos de Lei de Lobby, Saúde Mental e Rotulagem Frontal foram lançados como uma nova rodada legislativa, mas depois ficaram guardados. A ausência de aliados e a baixa prioridade dentro do próprio oficialismo impediram avanços em comissões ou pareceres.
A venda de terras a estrangeiros ocupa uma zona intermediária entre bloqueio e possibilidade. Federico Sturzenegger e Patricia Bullrich promoveram a iniciativa, que tem sessão prevista para 6 de agosto. O Governo afirma que pode reunir os votos necessários e a oposição contesta essa conta; a data funciona menos como garantia de aprovação do que como primeiro teste concreto da capacidade oficialista de formar maioria.
Outras duas frentes enfrentam resistências dentro e fora do Congresso. A Lei Hojarasca continua sem definição porque alguns pontos geram objeções internas e Sturzenegger resiste a modificá-los. Já a redução dos subsídios da Zona Fria encontra oposição em distritos bonaerenses, onde câmaras municipais procuram alternativas para manter os benefícios enquanto o Executivo sustenta sua eliminação.
As nomeações judiciais oferecem o contraste. O Poder Executivo enviou 25 propostas de magistrados e o Congresso pretende começar a analisá-las na semana seguinte, com acordos suficientes para avançar sem grandes obstáculos. Esse consenso tem alcance preciso: busca aprovar nomes para cargos vagos, não uma reforma integral do sistema judicial, permitindo que as negociações se concentrem em cada indicação.
A sequência mostra que o Governo não dispõe de uma coalizão estável capaz de passar de um projeto a outro. Precisa reconstruir apoios segundo o tema, os interesses dos governadores e o impacto territorial de cada medida. Os próximos marcos testarão essa capacidade em duas escalas: primeiro, os 25 juízes; depois, a sessão de 6 de agosto sobre terras, enquanto o restante da agenda espera acordos, textos ou pareceres.