Axel Kicillof questionou a mudança no regime de Zonas Frias aprovada pelo bloco governista no Senado e afirmou que muitos municípios da província de Buenos Aires perderão descontos no gás residencial. Segundo ele, prefeitos já começaram a manifestar preocupação com os efeitos sobre famílias, comércio e atividades produtivas.
O regime havia ampliado tarifas diferenciadas para regiões onde as baixas temperaturas elevam o consumo de gás. Na avaliação de Kicillof, a nova delimitação manteria apenas Carmen de Patagones no benefício bonaerense e excluiria os demais distritos incorporados na expansão. Outras províncias também perderiam parte da cobertura. Kicillof acrescentou que foram reunidas assinaturas e enviados alertas ao Executivo nacional antes da votação, sem alterar o resultado.
O governador atribuiu a iniciativa ao governo nacional e classificou a negociação com as províncias como pressão política. Disse que a retirada de benefícios das zonas frias apareceu ligada à promessa de outro mecanismo para áreas de altas temperaturas. Essa descrição expressa sua posição no conflito com a Casa Rosada.
A crítica econômica se concentrou na alta acumulada das contas. Kicillof afirmou que as tarifas aumentaram 1.600% durante a gestão nacional e que muitas famílias já têm dificuldades para pagar mesmo com o desconto. A perda do benefício, advertiu, aprofundaria a inadimplência e elevaria a demanda sobre os municípios.
Ele também cobrou dos senadores e representantes que apoiaram a mudança uma explicação do voto nos territórios afetados. Situou a medida em um quadro de deterioração da produção, do emprego, do comércio, da indústria e das economias regionais. Não apresentou um total consolidado de usuários atingidos.
A margem de resposta provincial parece limitada. Kicillof disse que Buenos Aires tenta compensar algumas medidas nacionais, mas que uma política tarifária definida pela União não pode ser corrigida integralmente com instrumentos provinciais. A controvérsia envolve, portanto, a divisão de responsabilidades fiscais.
O tema também entrou na agenda do Movimiento Derecho al Futuro. Kicillof relacionou sua disposição para uma construção federal à experiência de governar a província e afirmou que as candidaturas deveriam ser resultado desse processo, e não seu ponto de partida.
Os próximos passos dependerão da implementação final da reforma e da lista precisa de municípios e usuários excluídos. Enquanto os prefeitos avaliam os efeitos locais, o governo provincial manterá suas objeções políticas e legislativas. Resta saber quanto subirão as contas e se haverá algum mecanismo de amortecimento. A resposta também dependerá de haver transição para os atuais beneficiários ou exclusão imediata no próximo período de faturamento.