Axel Kicillof levou a disputa entre a província de Buenos Aires e a Casa Rosada ao terreno eleitoral. O governador acusou Javier Milei de usar recursos nacionais como instrumento de pressão sobre as províncias para obter votos no Congresso, especialmente para suspender as Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias e abrir caminho para seu projeto de reeleição. Seu argumento combinou uma denúncia sobre o método de negociação com um balanço econômico dos primeiros 30 meses da gestão libertária.
Kicillof descreveu essa prática como um mecanismo de “chantagem e extorsão política” aplicado às 24 jurisdições. Segundo seu argumento, a União oferece assistência com dinheiro que antes deixou de transferir às administrações provinciais e transforma a necessidade financeira em moeda de troca legislativa. Para o governador, a busca de um segundo mandato orienta as decisões do presidente e explica a pressão para eliminar uma etapa eleitoral que o Governo nacional deseja evitar.
O governador apoiou sua crítica em números que atribuiu ao desempenho econômico da administração federal. Afirmou que mais de 300 mil empregos foram perdidos e 26 mil empresas fecharam, enquanto a atividade ficou concentrada em poucos setores. Também mencionou quedas acumuladas de 12% na indústria, 5% no comércio e 15% na construção, além de um aumento da inadimplência familiar que, em sua avaliação, superou os níveis da crise de 2001.
A situação fiscal das províncias ocupou o centro da reclamação. Kicillof calculou que, desde o fim de 2023, as 24 jurisdições deixaram de receber mais de 47 trilhões de pesos a valores constantes. Apresentou essa soma como equivalente a quatro pontos do produto interno bruto e a um corte real de 13,4%, causado pela queda da coparticipação, pela menor arrecadação própria e pela redução das transferências nacionais obrigatórias.
Com esse diagnóstico, o governador questionou que o superávit fiscal exibido pela União possa ser separado dos recursos que deixaram de chegar aos distritos. Sua objeção não se limitou a Buenos Aires: afirmou que nenhuma província consegue resolver sozinha uma crise nacional e advertiu que prolongar o modelo por outro mandato aprofundaria a deterioração produtiva e financeira descrita por ele.
O encerramento foi político. Kicillof pediu a construção de uma alternativa federal capaz de reunir as províncias para discutir o rumo do Executivo, a distribuição de recursos e as regras eleitorais. O próximo foco de tensão estará no Congresso, onde o Governo precisará buscar votos para mudar as PASO, enquanto os governadores decidem como a assistência financeira e suas reivindicações pendentes pesam nessa negociação.