Eduardo Fellner voltou ao debate público de Jujuy com um diagnóstico que combina crise interna do Partido Justicialista, necessidade de reconstruir uma proposta provincial e crítica ao governo nacional. O ex-governador se colocou na lista ligada a Rubén Rivarola, mas evitou transformar a participação numa disputa pessoal e disse estar disposto a colaborar sem ser figura exclusiva.
Sua principal crítica é à condução da interna. Considerou equivocadas a intervenção da Justiça Federal e a atuação do PJ nacional e afirmou que os setores deveriam ter sido chamados a buscar acordo. Fellner disse que conversou com Rivarola e com a senadora Carolina Moisés e pediu autocrítica coletiva: a fragmentação não pode ser atribuída apenas a decisões externas.
Para ele, competir não deve significar destruir o adversário interno. O peronismo jujeño ainda pode disputar o governo se resolver diferenças e construir proposta reconhecível. Isso depende da decisão judicial pendente, mas também de regras, reconhecimento territorial e capacidade de impedir que a interna consuma a energia necessária contra o oficialismo.
Fellner tratou ainda da causa sobre suposto desvio de fundos habitacionais. Disse que recebeu em março um sobreseimento total e definitivo junto com prefeitos acusados e afirmou ter sofrido perseguição política. Relatou danos à saúde, família, patrimônio e trabalho e avalia, sem decisão, uma ação de indenização.
No plano nacional, participa de conversas sobre produção, economia e soberania para elaborar plataforma justicialista atualizada. Mencionou Diego Bossio, pediu reconhecimento de erros e atenção aos jovens. Sobre Axel Kicillof, afirmou que ainda precisa de acordos e presença territorial antes de consolidar candidatura.
O ex-governador criticou o estilo de Javier Milei e o uso de recursos federais para premiar ou punir províncias segundo seus legisladores. Apontou os mais pobres como principais afetados e defendeu as PASO. Rejeitou o custo como razão suficiente para suspendê-las e lembrou que separar eleições também gera despesas.
Em Jujuy, discordou de que reduzir o Estado seja solução e afirmou que a gestão atual tem mais empregados e funcionários. Defendeu obras públicas por gerar emprego e investimento e propôs negociar contribuições de mineradoras que usam estradas, gasodutos, eletricidade e acesso ao Pacífico.
Fellner vê a mineração como futuro eixo produtivo, condicionada a controle ambiental e benefícios para a população. Aplica critério semelhante às empresas estatais: podem ser necessárias, mas devem prestar contas. O próximo teste é saber se esse programa ajuda a unificar o PJ e vira proposta provincial além de sua própria figura.