O Sindicato do Petróleo, Gás Privado e Energias Renováveis de Santa Cruz ficou entre uma crise produtiva e uma disputa de poder que alcança sua direção. Circulam versões sobre conversas entre os governos nacional e provincial para intervir no SIPGER, mas não há resolução formal ou ato administrativo citado.
O conflito envolve o secretário-geral Rafael Güenchenen e o governador Claudio Vidal, que comandou o sindicato antes de assumir o Executivo. Güenchenen herdou a direção quando Vidal entrou no governo. A relação inicialmente coordenada se deteriorou com as diferenças sobre a saída da YPF e a resposta à perda de empregos.
A YPF deixou dez áreas convencionais maduras do Golfo San Jorge para concentrar investimentos no não convencional. O sindicato questionou as condições e responsabilizou politicamente Vidal por um entendimento que, segundo sua leitura, não protegeu os postos. Também exigiu investimentos, manutenção do emprego e contratação local.
A tensão se tornou aberta em abril de 2026, quando o SIPGER iniciou greve por tempo indeterminado contra demissões e falta de atividade. Depois, o conflito chegou à Legislatura na emergência dos hidrocarbonetos. Em outubro, o sindicato rejeitou a prorrogação e pediu debate público dos planos; o arquivamento foi apresentado como vitória.
Güenchenen também enfrenta críticas internas. Trabalhadores ativos, desempregados e ex-trabalhadores convocaram assembleia em Pico Truncado para discutir a continuidade da direção e pedir eleições. Marcelo Salguero e Martín Oñate estão entre os organizadores. As supostas irregularidades precisam de investigação e resposta.
A disputa ocorre sobre forte deterioração econômica. As estimativas citadas apontam cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos perdidos entre Santa Cruz e parte de Chubut após a saída da YPF. Las Heras, Pico Truncado e Cañadón Seco ficaram especialmente expostas pela dependência histórica.
As áreas foram transferidas pela Fomicruz a Patagonia Resources, Clear Petroleum, Roch Proyectos, Azruge, Brest e ao consórcio Quintana, com compromissos superiores a US$1,25 bilhão até 2031. O primeiro balanço foi desigual: Patagonia e Roch caíram, enquanto Clear e Quintana elevaram a produção.
O próximo passo exige separar rumores, decisões institucionais e reivindicações. Se houver intervenção, será preciso conhecer fundamento, autoridade e impacto sobre a representação. Também seguem pendentes verificar investimentos, recuperar empregos, resolver passivos ambientais e decidir se eleições internas podem recompor legitimidade sem aprofundar a crise.