O presidente da Cámara de Turismo de Ushuaia, Patricio Cornejo, alertou que o setor e a comunidade ficaram expostos à disputa entre a anterior administração provincial do porto e a intervenção nacional. A preocupação se intensificou depois que trabalhadores autoconvocados da Dirección Provincial de Puertos enviaram uma carta em inglês a armadores de cruzeiros antárticos.
A entidade criou uma subcomissão e uma mesa de trabalho com agentes marítimos para sustentar o diálogo com ambas as partes. Cornejo afirmou que os representantes da Agencia Nacional de Puertos y Navegación mantiveram uma comunicação mais fluida sobre as medidas operacionais, mas apontou que a indústria precisa de definições e pediu que a Justiça avance com mais rapidez dentro do devido processo.
O dirigente explicou que a atividade de cruzeiros é planejada com um ano ou mais de antecedência e requer segurança operacional, jurídica e econômica. Por isso, considerou que o risco central não está em registrar 500, 510 ou 520 atracações na temporada atual, mas em perder clientes para a próxima. Recuperar uma operação desviada para outro destino, afirmou, pode ser muito difícil.
Também questionou decisões anteriores da Dirección Provincial de Puertos, entre elas uma tarifa dolarizada que teria alterado orçamentos já preparados. Ao mesmo tempo, criticou que não fossem concretizadas reuniões mensais prometidas pela intervenção nem uma carta comprometida pelo governador e pela vice-governadora para responder aos armadores e transmitir previsibilidade.
Cornejo classificou como uma ameaça a mensagem de trabalhadores que alertava sobre possíveis obstáculos à operação caso não recuperassem seus postos dentro do porto. Lembrou bloqueios anteriores e sustentou que uma reivindicação laboral não deveria afetar o turismo, o comércio ou a circulação no centro. Essa caracterização corresponde ao dirigente; o conflito e as responsabilidades continuam sujeitos à negociação e às decisões administrativas e judiciais.
Em contraste, informou que Ushuaia alcançou 86% de ocupação hoteleira em julho e valorizou as gestões para somar voos, inclusive o serviço de GOL durante o verão. No entanto, reclamou recuperar competitividade e reativar a promoção de Visit Ushuaia e Destino Ushuaia, parada há quatro anos. O desempenho atual, concluiu, não elimina a necessidade de resolver o porto e sustentar o posicionamento futuro.