Nacional Economia

O excedente de 4 trilhões de pesos que o Banco Central não conseguiu localizar com precisão

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Santiago Bausili afirmou que a explicação cabe ao Tesouro depois de uma licitação que deixou recursos acima dos vencimentos imediatos.

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A pergunta sobre o destino de um excedente de 4 trilhões de pesos voltou a colocar sob observação a coordenação entre o Banco Central e o Tesouro Nacional. A questão surgiu depois de uma licitação de dívida na qual o Tesouro captou mais recursos do que precisava para cobrir vencimentos imediatos, mas esse saldo não aparecia claramente refletido nos depósitos do Tesouro dentro da autoridade monetária.

O presidente do Banco Central, Santiago Bausili, evitou precisar onde estavam esses recursos e afirmou que se tratava de uma pergunta que cabia ao Tesouro responder. A frase com que tentou tirar dramatismo do episódio, ao dizer que o dinheiro deveria estar “em algum lugar”, acabou ampliando a discussão pública sobre a rastreabilidade de uma cifra de grande magnitude.

A operação em análise começou com uma colocação na qual o Tesouro recebeu ofertas por 13,98 trilhões de pesos e adjudicou 12,21 trilhões de pesos em dinheiro. Como os compromissos a renovar giravam em torno de 8 trilhões de pesos, o resultado deixou um excedente próximo de 4 trilhões de pesos, equivalente a vários bilhões de dólares ao câmbio financeiro vigente.

A dúvida central não é apenas contábil. Em um programa econômico que faz da disciplina fiscal e monetária um de seus pilares, a administração de excedentes de caixa ganha relevância política e financeira. Se o Tesouro capta mais pesos do que vencem, o mercado precisa saber como são registrados, em quais contas ficam depositados e com que destino operacional serão usados.

Bausili descartou que os fundos tenham desaparecido, mas não ofereceu uma explicação concreta sobre sua localização. Essa resposta transferiu o peso do esclarecimento para a área econômica e abriu uma frente sensível na relação entre o Governo, os operadores financeiros e os blocos de oposição que pedem mais informações sobre a caixa pública.

O episódio também mostra o custo comunicacional de uma política de financiamento que depende de licitações frequentes e altos níveis de refinanciamento. Enquanto o Governo tenta sustentar o programa sem assistência monetária direta do Banco Central, qualquer zona opaca no registro dos recursos pode se transformar em um problema de confiança, mesmo quando a operação faz parte do fluxo habitual do Tesouro.

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