A União de Trabalhadores da Educação Provincial rejeitou o aumento salarial anunciado pelo governador Claudio Poggi e sustentou que os 20% em parcelas não bastam para recompor o poder aquisitivo docente em San Luis.
O sindicato afirmou que a situação salarial do setor atravessa um retrocesso histórico. Segundo sua análise, o salário docente provincial medido em termos reais caiu a níveis de março de 2005, o ponto mais baixo dos últimos 21 anos.
A UTEP também questionou a estrutura do salário. Enquanto províncias como Buenos Aires, Chubut e Santa Cruz têm vencimentos docentes totalmente remunerativos, San Luis registra apenas 67,9% de componentes remunerativos, abaixo da média nacional de 81%.
Essa composição implica que quase um terço da renda docente é pago por meio de somas não remunerativas. Para o sindicato, essa prática deteriora antiguidade, aguinaldo, licenças e futuras aposentadorias, transformando a melhora nominal em alívio parcial e de baixa qualidade salarial.
O relatório sindical tomou como referência um cargo testigo de professor de grau com jornada simples e dez anos de antiguidade. Em março de 2026, San Luis aparece como a província com maior perda de poder aquisitivo docente do país.
Segundo a UTEP, o salário básico caiu 49,8% em termos reais em relação a setembro de 2023, enquanto o salário de bolso perdeu 52% no mesmo período. Para recuperar esse nível de compra, o sindicato afirma que seria necessário um aumento real imediato de 52%.
A organização voltou a reclamar uma recomposição salarial verdadeira e o blanqueio urgente das cifras não remunerativas. A crítica aponta que aumentos em parcelas funcionam como remendos e não como política sustentada de recuperação de renda.
O conflito coloca o governo de Poggi diante de uma frente sensível: a tensão entre ordem fiscal, gasto salarial e deterioração da escola pública. Para San Luis, o debate docente já não se limita ao percentual de aumento, mas à qualidade do salário e ao lugar da educação na política provincial.