O Governo de Misiones lançou uma profunda reestruturação administrativa que inclui a fusão de ministérios, a eliminação de órgãos e a reatribuição de funções, no âmbito de um cenário econômico nacional que reduz os recursos disponíveis para as províncias. O ministro coordenador do Gabinete, Carlos Sartori, saiu em defesa contra as versões que circularam após o decreto do governador Hugo Passalacqua e garantiu que a reforma não prevê demissões de trabalhadores estatais.
Em uma longa entrevista à FM 89.3 Santa María de las Misiones, Sartori explicou que o objetivo da reestruturação é "otimizar a gestão, preservar os recursos e alcançar maior agilidade na resposta aos cidadãos". O funcionário insistiu que a redução do número de ministérios não implica o abandono de políticas públicas, mas sim sua reorganização em estruturas mais integradas para evitar sobreposições administrativas e gerar sinergias.
Uma das mudanças mais significativas é a absorção de funções pelo Ministério da Fazenda e Obras Públicas, que agora concentrará áreas que antes estavam distribuídas em outros departamentos. A área de Arquitetura foi incorporada a essa pasta, enquanto o Ministério da Mudança Climática deixou de funcionar como ministério independente e suas competências —relacionadas aos créditos de carbono— foram transferidas para a área financeira e de planejamento do Estado. A Secretaria de Energia com status ministerial também foi eliminada, tornando-se uma subsecretaria dentro da Fazenda e Obras Públicas.
O ministro procurou tranquilizar os trabalhadores estatais e negou que exista um plano de redução de pessoal: "O governador não está demitindo ninguém. Que não se interprete mal. O que ele está fazendo é uma reestruturação para responder à demanda que a sociedade tem hoje." Ele garantiu que os funcionários públicos continuarão a desempenhar funções e que muitos serão realocados para novas áreas, com processos de treinamento incluídos para adequar seus perfis.
No setor produtivo, a reforma busca coordenar melhor as políticas voltadas para os pequenos produtores. "A Agricultura, a Agricultura Familiar e outras áreas ligadas ao setor poderão trabalhar em conjunto", disse Sartori, que lembrou que durante a última tempestade, foram registrados danos em 127 produtores, principalmente devido à destruição de estufas. A nova organização permitirá distribuir as tarefas com mais rapidez para auxiliar os afetados.
Outro eixo da reforma é o fortalecimento do vínculo entre o governo provincial e os municípios. Sartori destacou a chegada do ex-prefeito de Montecarlo, Julio César Barreto, à presidência da Energía de Misiones, e a nomeação do ex-prefeito de San Javier, Matías Vilchez, para o comando do Ministério da Ação Cooperativa. "O que o governador está nos pedindo é muita presença territorial e proximidade com as pessoas", afirmou.
O ministro também vinculou a reforma ao contexto econômico nacional e à queda dos recursos que a Nação transfere para as províncias. "As políticas nacionais afetaram muito o chá, a erva-mate, a mandioca e outras produções de Misiones. Temos que fortalecer toda a estrutura agrícola para responder melhor a essa realidade", disse ele. A reorganização administrativa, somada aos preparativos para a possível chegada do fenômeno climático El Niño, marca uma nova etapa de gestão que combina austeridade, presença territorial e capacidade de resposta.