A discussão sobre as alianças de 2027 chegou à Legislatura portenha antes de existir um acordo eleitoral formal. Claudia Neira, presidente do bloco Fuerza por Buenos Aires, questionou Jorge Macri depois que o prefeito voltou a defender um entendimento entre o Pro e La Libertad Avanza. A legisladora deslocou o debate da conveniência partidária para a situação econômica e trabalhista da cidade.
Macri havia minimizado suas diferenças com o governo nacional e afirmou que as duas forças compartilham o objetivo de impedir o retorno do kirchnerismo. Em entrevista a Jonathan Viale, disse que o desafio é defender um modo de vida que considera ameaçado pelo populismo. Também indicou que a dimensão daquilo que, em sua visão, deve ser protegido permite deixar em segundo plano as diferenças de estilo com Javier Milei.
Neira respondeu com uma interpretação oposta sobre essa possível aproximação. Perguntou o que o prefeito e La Libertad Avanza têm em comum e afirmou que a principal coincidência é a vontade de vencer uma eleição. Para sustentar a crítica, enumerou três indicadores da vida portenha: a deterioração da classe média, o fechamento de mais de 2.800 empresas e a perda de 38.000 postos de trabalho.
O confronto expõe duas maneiras distintas de organizar a disputa do próximo ano. Macri apresentou a convergência entre o Pro e o governo nacional como uma defesa política diante do kirchnerismo, enquanto Neira procurou medir essa aliança pelos resultados de gestão que atribui às duas forças. A dirigente de Fuerza por Buenos Aires questionou não só a identidade dos possíveis parceiros, mas o contraste entre a agenda eleitoral e as dificuldades descritas na cidade.
A legisladora garantiu que seu bloco continuará trabalhando e votando ao lado dos moradores. Com essa base, formulou sua principal censura: o prefeito deveria deixar a campanha e se dedicar à gestão. A frase transforma a eventual aliança nacional em uma contestação local e coloca Macri diante dos números de atividade e emprego utilizados por Neira para questionar suas prioridades.
A definição política continua aberta. Jorge Macri expressou a intenção de aproximar o Pro e La Libertad Avanza para a eleição presidencial de 2027, mas as declarações não anunciam um pacto concluído. Neira, por sua vez, já estabeleceu o eixo a partir do qual seu bloco enfrentará essa possibilidade: não o debate sobre as formas de Milei, mas a comparação entre a campanha que começa a surgir e a gestão cotidiana de Buenos Aires.