O vice-governador de Santa Cruz, Fabián Leguizamón, alternou apoio a decisões provinciais, críticas e distanciamento diante de problemas de gestão. O contraste expôs diferenças dentro da coalizão que levou Claudio Vidal ao governo, integrada por SER e setores da UCR. Até agora, essas divergências não produziram ruptura formal nem mudanças nas autoridades eleitas.
Em Río Gallegos, Leguizamón elogiou medidas de organização administrativa e auditorias em áreas que, segundo ele, precisavam de controles. Também apoiou críticas à estrutura anterior, incluindo a denúncia sobre 269 pessoas acusadas de receber salários sem exercer funções. Nesses pontos, sua mensagem coincidiu com a narrativa do governo provincial.
O tom mudou ao tratar de outras áreas. Em Caleta Olivia, o vice-governador falou em falhas de gestão e disse não ter influência sobre determinadas decisões do Executivo. Também se afastou de problemas ligados a insumos hospitalares, conflitos docentes e reivindicações salariais municipais, separando seu papel institucional da responsabilidade operacional dos ministérios.
A posição deve ser lida dentro de uma arquitetura política heterogênea. Vidal construiu sua maioria com SER, dirigentes radicais e outros grupos contrários à antiga liderança provincial. A vice-governadoria ficou com a UCR, enquanto o comando diário se concentra na equipe do governador. Essa distribuição permite cooperação, mas gera disputas sobre participação e influência. O desenho institucional obriga as partes a conviver durante todo o mandato: o vice-governador preside a Legislatura e substitui o governador quando necessário, enquanto o Executivo administra ministérios e recursos. Essa interdependência dá consequências cotidianas a qualquer separação.
As declarações não provam uma fratura definitiva. Um vice-governador pode apoiar um programa geral e questionar políticas específicas. Contudo, a repetição dos distanciamentos abre uma discussão: quanto a UCR participa das decisões e como deve compartilhar os resultados de uma administração que integra institucionalmente, mas não controla no cotidiano.
O desafio de Vidal é manter uma coalizão diversa enquanto responde a demandas setoriais. Problemas em hospitais, medidas de força docentes e pressões financeiras municipais exigem decisões e negociação. Quando Leguizamón diz não ter participado, reduz sua exposição pessoal, mas também revela coordenação limitada entre as duas principais autoridades eleitas.
A UCR de Santa Cruz terá de decidir se as diferenças serão processadas dentro da frente ou por meio de uma posição partidária mais autônoma. SER deverá esclarecer quais espaços de consulta oferece aos aliados. A estabilidade institucional não parece ameaçada de imediato, mas cada orçamento, nomeação e conflito testará a relação.
O próximo indicador será a conduta de Leguizamón e dos legisladores radicais diante das iniciativas do governo. Apoio parlamentar com críticas públicas manteria a coalizão com diferenciação interna. Votos contrários ou pedidos formais de informação dariam outra dimensão às tensões. Por enquanto, há desacordos visíveis, não uma ruptura consumada.