Axel Kicillof levou o Movimiento Derecho al Futuro ao centro de Buenos Aires com um Congresso Produtivo de dois dias que combinou debate econômico, alianças e projeção presidencial. A segunda jornada ocorreu no Teatro Astros diante de mais de quinhentas pessoas, poucas horas depois de uma cúpula com Máximo Kirchner, Sergio Massa e governadores peronistas. A construção nacional avança junto de uma negociação interna ainda aberta.
O evento foi organizado por Augusto Costa, ministro da Produção bonaerense e principal articulador do MDF na capital. As primeiras mesas, na Universidade Tecnológica Nacional de Villa Ortúzar, reuniram empresários, pesquisadores, sindicatos, ex-funcionários e políticos. O objetivo declarado era uma agenda de produção e trabalho, mas também instalar Kicillof num distrito onde o espaço tem pouca estrutura.
No discurso, o governador afirmou que o modelo de Javier Milei está esgotado e não admite substitutos cosméticos. Descreveu uma catástrofe de perda de empregos formais, fechamento de empresas, queda salarial, informalidade e retração da indústria, construção e comércio. O argumento ligou a deterioração social à necessidade de mudar a política econômica nacional.
Kicillof rejeitou pensar a Cidade como economia isolada. Disse que entre 47% e 51% do valor agregado é produzido por trabalhadores que moram fora do distrito e propôs articular empresas, universidades, ciência e tecnologia. A ideia de capital federal integrada ao país transformou a agenda local em parte de um projeto nacional de desenvolvimento.
As presenças mostraram contatos variados. Participaram Hugo Yasky, Juan Manuel Abal Medina, Victoria Onetto, Berenice Iañez, Victoria Montenegro e Itai Hagman, próximo de Juan Grabois. Também estiveram Manuel Socías, Leandro Santoro e Matías Lammens, ligados a Juan Manuel Olmos. Grabois já apoia Kicillof; o grupo Olmos é mais cauteloso.
A ausência mais comentada foi La Cámpora. Nenhuma figura importante compareceu, apesar dos gestos recentes a Cristina e Máximo Kirchner. Não houve, portanto, foto de unidade: os dirigentes de outros setores participaram de forma individual, não como alinhamento coletivo ao MDF. O congresso ampliou interlocutores, mas não resolveu a interna.
No encerramento, Costa, Santoro e Lammens pediram consensos amplos para disputar o país e a Cidade, onde preveem aliança entre LLA e PRO. Alguns presentes afirmaram que ainda não é hora de candidaturas e que as conversas podem ficar para março. A prudência contrasta com os cantos de “Axel presidente” e a leitura presidencial do ato.
O desafio do MDF é transformar o impacto de uma jornada em organização permanente. Precisa de quadros nos bairros, acordos com o PJ portenho e proposta própria para serviços, moradia, trabalho e produção, sem ser apenas extensão do governo bonaerense. O próximo passo será converter adesões parciais numa coalizão estável e competitiva para 2027.