A reunião entre Hugo Passalacqua e Juan Pablo Valdés em Posadas expôs uma agenda que vai além do vínculo entre Misiones e Corrientes. No encontro apareceram, ao mesmo tempo, a discussão sobre a reforma eleitoral impulsionada pelo Governo nacional, a necessidade de preservar margens políticas próprias e a reivindicação por obras há muito postergadas no norte argentino.
O eixo político esteve na possível eliminação das PASO e no debate sobre listas coletoras como parte da arquitetura eleitoral rumo a 2027. Para os governadores provinciais, o ponto não é apenas institucional: também define como as alianças serão ordenadas, que margem conservarão os oficialismos locais e quais condições as províncias buscarão em uma negociação com a Casa Rosada.
Passalacqua atravessa uma etapa sensível dentro da frente que o levou ao governo de Misiones, marcada por tensões internas e pela disputa em torno de sua projeção política. Valdés, por sua vez, chega a essa conversa a partir de uma província com calendário eleitoral próprio e com uma transição já encaminhada após suceder Gustavo Valdés em Corrientes. Ambos compartilham, porém, a lógica de frentes provinciais com forte autonomia territorial.
A conversa também foi atravessada por um problema comum: a pressão fiscal sobre as províncias. A queda da arrecadação e da coparticipação federal limita a capacidade de gestão diária e torna mais urgente a obtenção de recursos para infraestrutura, serviços e competitividade regional. Nesse contexto, cada definição política nacional também é lida como uma oportunidade de negociação orçamentária.
Em matéria de obras, os governadores colocaram sobre a mesa o acesso ao gás natural para o Norte Grande, uma demanda que envolve milhões de habitantes de Chaco, Formosa, Corrientes e Misiones que ainda dependem de botijões. A reivindicação pelo gasoduto voltou a aparecer como uma dívida estrutural da Nação com as províncias do norte.
Outro ponto central foi a hidrovia. Passalacqua e Valdés defenderam a necessidade de fortalecê-la para melhorar a competitividade regional, potencializar os portos de Misiones e Corrientes e ampliar as condições logísticas das economias locais. A bacia florestal-industrial compartilhada também fez parte da agenda produtiva que ambos buscaram ordenar em comum.
O encontro mostrou como a política nacional e a infraestrutura territorial se cruzam na mesma mesa. Para os governadores do NEA, a reforma eleitoral, a discussão por recursos e as obras estratégicas formam parte de uma mesma negociação: sustentar poder provincial, reivindicar federalismo concreto e transformar demandas históricas em condições de desenvolvimento.