Kristalina Georgieva viajará a Neuquén para visitar Loma Campana com o presidente da YPF, Horacio Marín, convertendo Vaca Muerta na última escala produtiva de sua passagem pela Argentina. Será a primeira vez que a máxima autoridade do Fundo Monetário Internacional entra na formação não convencional, gesto apresentado pelo governo como reconhecimento de sua capacidade de gerar divisas.
A escolha do campo desloca por algumas horas a relação com o FMI das reuniões em Buenos Aires para o território onde se produz parte dos hidrocarbonetos considerados estratégicos pelo programa econômico. O governo liga o crescimento de petróleo e gás à acumulação de reservas e à estabilidade macroeconômica. A visita pretende dar dimensão física a essa equação.
Georgieva chegará depois de reuniões com Javier Milei, Luis Caputo, o gabinete ampliado e as principais figuras da equipe econômica. Na entrevista ao lado do ministro, destacou o potencial energético argentino para aumentar a entrada de moeda estrangeira. A visita permitirá observar um desenvolvimento que até agora aparecia em conversas, projeções e contas externas.
Horacio Marín a receberá em Loma Campana, bloco emblemático localizado a dez quilômetros de Añelo e a 180 quilômetros da cidade de Neuquén. Caputo explicou que a chefe do Fundo queria ver com os próprios olhos como Vaca Muerta se desenvolve. A anfitriã será a empresa controlada pelo Estado que ocupa parte central da expansão não convencional.
A viagem ocorre após um apoio explícito de Georgieva ao rumo econômico. Ela disse que a Argentina está em situação mais saudável que em 2023 e valorizou inflação menor, superávit fiscal e melhora da nota de crédito. Ao mesmo tempo, apontou duas pendências que conectam macroeconomia à vida diária: criar empregos formais e recuperar o consumo interno.
A chefe do FMI também apoiou a intenção de reformar a Carta Orgânica do Banco Central, projeto que ainda não iniciou a tramitação parlamentar. A proposta busca devolver à entidade a preservação do valor da moeda como missão principal e impedir o financiamento monetário do Estado. Georgieva descartou assistência adicional e elogiou reservas próximas a US$ 49 bilhões.
Depois de Loma Campana, Georgieva viajará ao Uruguai para se reunir na quinta-feira com o presidente Yamandú Orsi. A escala neuquina fechará a agenda argentina com sinal favorável, mas o resultado depende das divisas e dos empregos produzidos pela expansão energética. O próximo teste não será a foto da visita, mas a capacidade de Vaca Muerta de sustentar reservas sem deixar trabalho formal e consumo pendentes.