A Express Beer deixou de operar de forma repentina em seu centro no Mercado Central, no município de La Matanza, província de Buenos Aires, e demitiu seus 220 empregados sem pagar salários, metade do abono anual de junho nem indenizações. O fechamento da distribuidora de bebidas não ocorreu por redução gradual: a atividade parou e o conflito passou imediatamente às esferas sindical e judicial.
Os funcionários afirmam que a empresa retirou caminhões e outros bens do local durante o fim de semana anterior. Interpretaram o movimento como esvaziamento prévio ao encerramento definitivo, porque já não existia operação capaz de sustentar o quadro quando tentaram voltar às tarefas. O destino desses ativos torna-se decisivo, pois eles podem ser necessários para responder pelas obrigações trabalhistas pendentes.
A antiguidade amplia o impacto. Muitos demitidos acumulavam em média 26 anos na companhia, portanto a dívida não se limita ao último salário e ao abono, mas inclui indenizações ligadas a carreiras extensas. Entre eles está o delegado Jerónimo Moyano, filho mais novo de Hugo Moyano, presença que conecta o conflito interno à direção nacional do Sindicato dos Caminhoneiros.
O sindicato, comandado por Hugo e Pablo Moyano, declarou estado de emergência e anunciou ações sindicais e judiciais para proteger o quadro. Sua reivindicação tem dois planos: recuperar o dinheiro devido a cada trabalhador e determinar se a retirada de bens reduziu deliberadamente a capacidade de pagamento da empresa. Essa segunda questão poderá definir o alcance das medidas legais.
O fechamento ocorreu em um mercado de cerveja que, conforme os dados setoriais citados, perdeu cerca de 35% do consumo em dois anos. Uma queda assim reduz o volume distribuído e aumenta o peso dos custos fixos de veículos, depósitos e pessoal. A retração ajuda a explicar a deterioração do negócio, mas não resolve as obrigações que a Express Beer deixou ao interromper as atividades.
Os registros financeiros mostram compromissos concretos: em maio de 2026 a empresa devia $ 31,6 milhões à American Express Argentina, $ 25,7 milhões à YPF e $ 182 mil ao Banco Galicia. O proprietário, Juan Aguilar, também integra a direção da Federação Argentina de Entidades de Transporte e Logística, uma das câmaras patronais que negociam salários com o sindicato. A dupla posição leva a disputa a uma relação setorial institucionalizada.
O próximo passo será transformar a emergência sindical em ações capazes de assegurar salários, abono e indenizações e preservar bens até a definição patrimonial da companhia. Também será preciso formalizar o desligamento dos 220 empregados e estabelecer quem responde por cada dívida. A operação acabou; permanece aberto se os trabalhadores receberão após um fechamento executado antes de ordenar as obrigações.