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Governo busca evitar escalada com a Igreja antes da visita de Leão XIV

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A 37 dias da chegada do papa, a Casa Rosada decidiu não responder às críticas sociais e políticas do arcebispo Jorge García Cuerva. Karina Milei conduz a coordenação com o Vaticano, enquanto uma crítica pública do presidente do BICE ficou como exceção à estratégia oficial de distensão.

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A 37 dias da visita do papa Leão XIV à Argentina, a Casa Rosada decidiu evitar uma confrontação pública com a Igreja Católica. A escolha ocorreu depois que o arcebispo de Buenos Aires, Jorge García Cuerva, descreveu um país marcado por dificuldades econômicas e sociais, divisão política, desqualificação e intolerância. O governo não rebateu formalmente esse diagnóstico e manteve aberta a coordenação institucional.

No oficialismo, a resposta preferida foi destacar os trechos da mensagem episcopal que falavam de uma sociedade que não desiste. Essa interpretação permitiu reagir sem entrar em uma disputa direta sobre pobreza, emprego, endividamento familiar ou convivência política. A estratégia considera a grande exposição da visita e a intenção de envolver autoridades nacionais, provinciais e eclesiásticas.

As declarações de García Cuerva também antecederam a peregrinação anual de jovens a Luján, para a qual a Igreja espera mais de um milhão de pessoas. O arcebispo afirmou que Leão XIV encontrará uma Argentina em crise e dividida pela polarização. Trata-se de uma avaliação do prelado, não de uma conclusão acordada com o Executivo, que optou por não discuti-la publicamente.

A exceção dentro do governo foi Felipe Núñez, presidente do Banco de Investimento e Comércio Exterior. Em sua conta pessoal, ele criticou o arcebispo e pediu que se concentrasse na missão religiosa. A intervenção contrastou com o silêncio das áreas subordinadas à Secretaria-Geral da Presidência, que evitaram comentar o discurso e mantiveram reuniões com representantes da Igreja.

Karina Milei aparece como a principal responsável política pela relação operacional com o Vaticano e pela agenda do pontífice. A última reunião institucional divulgada para organizar a visita ocorreu em meados de setembro. Na ocasião, a Secretaria-Geral destacou que a coordenação reuniu forças políticas e organismos estatais, arranjo que o governo pretende preservar nas semanas anteriores à chegada.

Em paralelo, há dúvidas na administração sobre o funcionamento da Secretaria de Culto e Civilização, comandada por Agustín Caulos. Ele substituiu Nahuel Sotelo, que havia iniciado as tratativas e mantinha vínculos com a Santa Sé antes de voltar à Legislatura bonaerense. As informações disponíveis indicam que a relação central com o Vaticano ficou concentrada na secretária-geral da Presidência.

A tensão não se limita a uma diferença de discurso. A Igreja vem colocando pobreza, endividamento das famílias, trabalho e diálogo na agenda pública, enquanto o Executivo tenta impedir que essas intervenções se transformem em conflito político durante a visita. O equilíbrio consiste em manter os canais abertos sem adotar as críticas dos bispos nem responder com uma ofensiva institucional.

O próximo passo será uma nova rodada de reuniões para definir itinerários, locais, segurança e participação de autoridades. Até lá, a Casa Rosada manterá a linha de não confrontação, com exceção de manifestações individuais como a de Núñez. Separar a organização da visita das divergências sobre a situação social será central para a relação entre governo e Igreja nas próximas semanas.

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