O debate sobre o fundo de financiamento educacional da Terra do Fogo se concentra numa diferença: o projeto quer elevar o investimento de 4,5% para 7,8% do produto bruto provincial, mas as fontes propostas gerariam menos de 9 bilhões de pesos por ano.
O legislador Matías Lapadula defendeu revisar primeiro a execução do orçamento atual. Segundo dados que atribuiu ao Ministério da Economia, a educação representa cerca de 26% do gasto provincial e mais de 12 milhões de pesos por aluno ao ano.
Lapadula apoia o objetivo de fortalecer o sistema e melhorar salários docentes, mas questiona novos tributos sem revisar partidas, horas-aula e eficiência do gasto. Para ele, mais recursos não corrigem sozinhos problemas de gestão.
Um dos pontos mais controversos é uma alíquota de 3,4% sobre a distribuição residencial de gás. O legislador afirma que esse custo seria repassado diretamente às contas das famílias.
Ele também rejeitou cobrar Ingressos Brutos sobre atividades hoje isentas do Banco Tierra del Fuego. Considera contraditório reduzir os lucros de uma entidade estatal se o próprio projeto pretende usar ganhos de empresas públicas.
Outra objeção atinge 0,5% da arrecadação de Ingressos Brutos que seria retirada antes da distribuição aos municípios. Lapadula advertiu que isso reduziria recursos locais num momento de queda de receitas.
Em contrapartida, apoiou a atualização do imposto imobiliário rural, que segundo ele estava sem ajuste havia mais de 14 anos e arrecadava menos de cinco milhões de pesos por ano. Também aceita futuras contribuições de setores como hidrogênio verde.
Com o trâmite de urgência ainda vigente, o debate permanece entre garantir recursos estáveis para metas educacionais ambiciosas e evitar que o financiamento recaia sobre famílias, municípios ou empresas públicas sem revisar antes o gasto existente.