O Governo de Misiones confirmou que a Nação não prevê modificar a política de desregulação do mercado ervateiro, decisão que aprofunda a tensão entre a província e a administração nacional sobre o futuro de uma das economias regionais mais sensíveis do país.
O ministro do Agro e da Produção, Facundo López Sartori, informou que manteve reunião de duas horas com o ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger. Segundo o funcionário missioneiro, a resposta foi categórica: não haverá mudanças.
A definição nacional impacta diretamente a cadeia da erva-mate. Misiones sustenta que a desregulação agrava a situação de produtores, cooperativas e trabalhadores rurais, especialmente em um contexto de custos crescentes e preços insuficientes para cobrir a produção.
López Sartori questionou que a medida seja apresentada como modernização econômica. Para a província, retirar ferramentas de regulação deixa os elos mais fracos da cadeia expostos a uma negociação desigual com a indústria e a comercialização.
O conflito volta a colocar o Instituto Nacional da Erva-Mate no centro do debate. Os setores produtivos reivindicam que o organismo recupere capacidade de ordenamento, em particular a faculdade de intervir sobre preços de referência da folha verde e da canchada.
A discussão não é apenas setorial. A erva-mate estrutura emprego rural, permanência territorial, cooperativismo, pequenas propriedades e atividade industrial em Misiones e em parte do Nordeste argentino.
A posição da Nação deixa aberta uma disputa política de fundo. Enquanto o Governo nacional defende a desregulação como critério geral de política econômica, Misiones alerta que aplicar essa lógica sem amortecedores pode deteriorar uma economia regional completa.
O próximo trecho do conflito dependerá da capacidade da província, produtores e cooperativas de sustentar pressão institucional. Em jogo não está apenas o preço da folha verde, mas o equilíbrio produtivo de uma cadeia que define identidade, emprego e território.