A fábrica da Metalfor em Noetinger parou a produção, começou a dispensar trabalhadores e transferiu máquinas para outras unidades. O conflito se tornou visível com o envio de cerca de 35 telegramas de demissão e com as filmagens feitas por empregados enquanto equipamentos deixavam o estabelecimento. A sequência esvazia uma planta identificada durante anos com a produção cordobesa de máquinas agrícolas.
O alcance do ajuste pode ser ainda maior. Segundo as informações publicadas, a intenção da empresa seria reduzir quase 70% do quadro, embora essa meta não tenha sido formalizada como um fechamento definitivo. A Unión Obrera Metalúrgica e a ASIMRA mantêm negociações com a companhia na Secretaría de Trabajo, sem acordo até agora sobre o número final de desligamentos ou sobre as condições econômicas.
A proposta empresarial para quitar as indenizações aprofundou a rejeição. A Metalfor teria oferecido pagar uma parte em parcelas e completar o restante com máquinas usadas avaliadas pela própria companhia. Os trabalhadores cobram o pagamento integral de indenizações, salários e abonos anuais devidos, portanto a disputa não se limita à continuidade produtiva: ela também envolve obrigações acumuladas com quem já recebeu telegramas ou pode ser atingido por novas demissões.
A movimentação dos equipamentos aumentou o temor de que a paralisação se torne irreversível. Os empregados registraram o esvaziamento da fábrica e a transferência de máquinas para Marcos Juárez. Esses fatos mostram uma perda concreta de capacidade operacional em Noetinger, mas as negociações trabalhistas continuam abertas; por isso, a situação deve ser descrita como um desmonte em curso com risco de fechamento definitivo, e não como uma unidade formalmente encerrada.
A mudança também está ligada à orientação do Grupo Bertotto Boglione. A fonte indica que o conglomerado direciona seus investimentos para mineração, petróleo e gás, estratégia que deixaria para trás a fabricação de máquinas agrícolas na planta de Noetinger. Esse deslocamento setorial explica o destino dos equipamentos e a redução do pessoal, mas não substitui as definições que a empresa ainda precisa comunicar na negociação oficial.
Na sexta-feira, 7 de agosto, os trabalhadores receberam um depósito de $50.000, sem que esse pagamento resolvesse os valores cobrados. O próximo resultado verificável virá da mesa com UOM, ASIMRA e Secretaría de Trabajo: ali terão de ser definidos o tamanho do corte, a continuidade ou o fechamento da unidade, o destino das máquinas e uma forma legal de quitar salários, abonos e indenizações sem impor ao pessoal a avaliação unilateral da empresa.