Três medições recentes em Córdoba oferecem imagens diferentes de um cenário político ainda longe de estar definido. Uma análise da conversa digital registrou clima adverso ao governador Martín Llaryora, enquanto duas pesquisas provinciais mostraram saldo positivo na avaliação da gestão e cenários fragmentados de intenção de voto. Os dados são fotografias produzidas em momentos e com ferramentas distintas, por isso não podem ser lidos como previsão para a eleição de 2027 nem como resultados diretamente equivalentes.
O relatório de escuta social da Reputación Digital detectou que 73% das menções a Llaryora eram negativas, 12% positivas e 15% neutras. Essa distribuição gerou sentimento líquido de menos 61 pontos. A plataforma X concentrou 90% do tráfego analisado, com críticas principalmente de espaços libertários e antiperonistas, além de intervenções da esquerda e do kirchnerismo. A mesma medição observou que os anúncios de gestão, embora representassem parcela menor das publicações, geraram interação comparativamente alta.
A conversa nas redes não mede, sozinha, a opinião do eleitorado provincial. Na pesquisa da Sicchar, a gestão de Llaryora obteve 53% de avaliação positiva e 45% negativa. O componente favorável subiu quatro pontos desde o começo do ano, mas a própria análise indicou que essa variação não é estatisticamente significativa diante de margem de erro de mais ou menos 3,1 pontos. O quadro revela posições divididas e diferença moderada entre aprovação e desaprovação.
A Zeta Comunicación Política registrou distribuição semelhante: 51% de avaliação positiva e 46% negativa, com margem de erro informada de mais ou menos três pontos. A diferença de cinco pontos também não permite afirmar, por si só, uma mudança consolidada. A média simples das duas medições resulta em 52% de opiniões positivas e 45,5% negativas, mas serve apenas como referência descritiva, pois cada estudo pode ter usado amostras, datas, perguntas e procedimentos diferentes.
Na intenção de voto, a Sicchar colocou Llaryora perto de 34% em cenário com várias candidaturas. Luis Juez alcançou 16,1%, enquanto Gabriel Bornoroni e Rodrigo de Loredo ficaram em torno de 8% cada. Natalia de la Sota apareceu com 6%, a esquerda com 5% e Aurelio García Elorrio com 4%. Outros 12,1% estavam indecisos. A dispersão opositora explica parte da distância, mas a pesquisa não define como os apoios mudariam com alianças, desistências ou candidaturas diferentes.
A comparação com a eleição de 2023 acrescenta outra referência, sem transformar a pesquisa em projeção. Llaryora havia obtido cerca de 42% e a medição atual o coloca aproximadamente oito pontos abaixo. Juez também aparece abaixo do desempenho anterior, por quase 23 pontos. Essas variações podem refletir o caráter preliminar da oferta eleitoral, o peso dos indecisos e a ausência de definições partidárias, além dos limites de uma consulta realizada muito antes da votação.
O estudo da Zeta apresentou outra distribuição. Nele, Llaryora recebeu 28%, De Loredo 13%, e Juez, Bornoroni e uma figura ligada ao kirchnerismo formaram um grupo cujas diferenças não foram estatisticamente significativas. A divergência entre 28% e 34% para o governador mostra que o resultado depende do desenho de cada instrumento e do momento do trabalho de campo. Também exige separar os percentuais publicados de qualquer afirmação sobre o desfecho de uma disputa ainda não formalizada.
Em conjunto, as medições descrevem uma província com forte debate digital, uma gestão avaliada positivamente por pouco mais da metade dos entrevistados e uma oposição distribuída entre várias referências. Também mostram grupos importantes que preferem mudança, permanecem indecisos ou podem rever sua escolha quando as candidaturas se consolidarem. A próxima etapa dependerá das decisões dos partidos, de eventual coordenação opositora e da evolução da gestão provincial; nenhuma dessas variáveis está resolvida pelas pesquisas disponíveis.