Marcelo Matzkin começou a organizar seu projeto de reeleição em Zárate para 2027, mas ainda evita transformá-lo em lançamento formal. O prefeito do PRO afirma que um mandato não basta para concluir seu programa municipal. O calendário, porém, depende da negociação provincial entre o PRO e a La Libertad Avanza.
Alinhado ao deputado nacional Cristian Ritondo, Matzkin espera que um eventual acordo estabeleça uma regra territorial que proteja prefeitos do PRO de candidaturas libertárias. Ritondo mencionou essa possibilidade após a primeira conversa, e dirigentes nacionais aceitaram inicialmente não promover concorrentes nos doze municípios governados pelo partido amarelo.
A expectativa convive com uma relação difícil no Conselho Deliberante. Os quatro vereadores da La Libertad Avanza se abstiveram no projeto da orla, destinado a reduzir impostos sobre empreendimentos imobiliários, e a proposta foi rejeitada. Matzkin disse ter relatado essas tensões ao ministro do Interior, Diego Santilli.
O conflito se somou à breve aparição do ex-jogador Oscar Ahumada como possível candidato. Apresentado em julho como uma aposta de Karina Milei para 2027, ele deixou a estrutura provincial no início de setembro. Sua saída eliminou um adversário imediato, mas não resolveu as diferenças com os vereadores libertários.
Matzkin governa desde 2023, quando obteve 42,4% dos votos. Em 2026, incorporou ao balanço a abertura de uma fábrica da Mercedes-Benz, com investimento anunciado de US$110 milhões e 500 empregos diretos. A cerimônia com Karina Milei, Santilli e Ritondo mostrou cooperação institucional, sem ordenar a convivência política local.
O sinal mais incômodo veio da eleição de 2025. A lista apoiada por Matzkin, liderada pela libertária Stefania Rodríguez Schatz, alcançou 32,97%, quase sete pontos abaixo dos 39,83% do peronista Leandro Matilla. O resultado mostrou que a aproximação entre PRO e libertários não garantia maioria municipal.
Na oposição, Abel Furlán, dirigente da UOM e da CGT, venceu a disputa interna e apoiou Matilla, presidente local do PJ. O grupo ligado a Sergio Berni e Agustina Propato também preserva presença depois que Ana María Almirón perdeu a interna por 57% a 43%.
A definição chegará quando o entendimento provincial tiver de virar regra municipal. Matzkin quer evitar uma prévia libertária, recompor a relação legislativa e melhorar o desempenho eleitoral da coalizão. Zárate será um teste para saber se o acordo das cúpulas pode organizar as candidaturas locais de 2027. Essa regra ainda não foi formalizada publicamente.