Os três senadores de Entre Ríos se dividiram na votação que deu meia-sanção à Ley de Inviolabilidad de la Propiedad Privada. Romina Almeida e Joaquín Benegas Lynch, integrantes de La Libertad Avanza, votaram a favor, enquanto Adán Bahl, do bloco Justicialista, votou contra. A distribuição refletiu o alinhamento político de cada assento e colocou a província em ambos os lados de uma votação nacional apertada.
O projeto foi aprovado com 37 votos a favor e 33 contrários. Os vinte senadores libertários reuniram o apoio de legisladores do UCR, do PRO e de espaços provinciais para formar a maioria. O rejeitamento concentrou-se no peronismo e seus aliados, além de setores dialogistas que desta vez não acompanharam. Anabel Fernández Sagasti e Flavio Fama estiveram ausentes, completando o quadro da sessão.
A iniciativa chegou ao recinto sem o capítulo que modificava a Lei de Terras, retirado por falta de consenso. O texto restante introduz reformas, entre elas mudanças no Código Civil e Comercial em matéria de despejos e disposições relacionadas com o manejo do fogo. A sanção parcial ainda não transforma essas modificações em lei: a Câmara dos Deputados deverá analisá-las e poderá aprová-las, rejeitá-las ou introduzir novas mudanças.
O percurso prévio explica por que o resultado teve importância para o oficialismo. Desde o parecer emitido em maio por um plenário de comissões, o projeto acumulou mais de dezesseis modificações. Em quatro ocasiões, o Governo tentou incorporá-lo à pauta do Senado e teve que retirá-lo porque não tinha os votos. Durante a sessão definitiva, o peronismo pediu que voltasse à comissão, mas essa moção não prosperou.
Os votos entrerrianos não incluíram uma ruptura interna inesperada: Almeida e Benegas Lynch mantiveram a posição do bloco governista e Bahl acompanhou a rejeição justicialista. No entanto, sua distribuição permite medir como a disputa nacional se expressou na representação provincial. Duas cadeiras contribuíram para uma maioria de apenas quatro votos, enquanto a terceira integrou uma oposição que tentou adiar novamente a votação.
O próximo cenário será a Câmara dos Deputados, onde o Governo tentará transformar a média sanção em lei. Ali será reaberta a discussão sobre despejos, propriedade e manejo do fogo, enquanto o capítulo de Terras seguirá fora desta versão. Para Entre Ríos, o dado político já ficou definido: seus senadores não atuaram como uma delegação territorial unificada, mas de acordo com as alianças partidárias que estruturaram todo o resultado do Senado.