Karina Milei reuniu na Casa Rosada legisladores da Cidade e da província de Buenos Aires para iniciar uma reorganização eleitoral da La Libertad Avanza. A convocação juntou dois territórios com problemas diferentes, mas a mesma urgência: definir candidaturas, rever alianças e reconstruir a organização depois de resultados que obrigaram o oficialismo a repensar seu desempenho e seus acordos.
A conversa não produziu uma lista fechada nem anunciou candidatos. Funcionou como ponto de partida para discutir as chapas locais, as internas previstas em vários distritos e os entendimentos com setores aliados. Ao manter abertas essas três dimensões, a direção partidária evitou antecipar nomes antes de resolver qual estrutura territorial e quais alianças sustentarão cada candidatura.
A província de Buenos Aires ocupou lugar central pela complexidade de sua organização. Ali, o congresso partidário e a representação no território serão decisivos para construir listas competitivas, enquanto os dirigentes precisam revalidar candidatos e fechar acordos com forças locais capazes de oferecer presença no interior bonaerense. A discussão combina, assim, autoridade partidária, alcance territorial e negociação distrital.
Na Cidade de Buenos Aires, o desafio apresentado pelos legisladores foi diferente. A prioridade é preservar a estrutura da La Libertad Avanza em comunas consideradas essenciais e ordenar as candidaturas sem perder a base organizativa já construída. A mesa conjunta permitiu comparar os dois mapas: uma organização urbana concentrada e um território provincial extenso que exige múltiplos acordos locais.
O encontro também procurou preencher vazios organizativos expostos pelas eleições recentes. Os participantes exploraram aproximações com espaços políticos afins e revisaram o equilíbrio territorial, mas a cúpula terminou sem cronograma público. Em vez de uma resolução final, foram abertas mesas de trabalho e conversas bilaterais destinadas a transformar os diagnósticos em acordos.
A reunião integra uma reorganização mais ampla do oficialismo. Além de Karina Milei, dirigentes nacionais e integrantes do gabinete participam de encontros voltados a definir próximos passos, avaliar pré-candidatos e conter fraturas internas. A Casa Rosada tornou-se, assim, o centro de coordenação entre a direção nacional e as estruturas partidárias que disputarão as internas da capital e da província.
As decisões de fundo continuam pendentes: quem liderará as listas, quais pactos serão aceitos e como o poder será distribuído entre dirigentes nacionais e organizações locais. A direção espera resolver esses pontos nas próximas semanas por meio de novas reuniões e acordos setoriais. O resultado da primeira cúpula não é, portanto, uma candidatura, mas o método de negociação que a La Libertad Avanza usará para chegar a ela.