O Governo da Terra do Fogo e o SUTEF concordaram em abrir uma mesa técnica enquanto continua a greve docente por tempo indeterminado e o acampamento nas três cidades. O trabalho reunirá o governador Gustavo Melella, os ministros da Economia e da Educação e o presidente do Banco de Tierra del Fuego. O objetivo imediato é elaborar uma proposta salarial que permita começar a destravar o conflito.
O secretário geral do sindicato, Horacio Catena, confirmou a convocação após se reunir com Melella e com o ministro Pablo López Silva. Descreveu uma adesão muito alta e uma participação ampla nas atividades do primeiro dia. Para organizar o protesto, o sindicato estabeleceu dois encontros diários do corpo docente em greve e acampamento, às 10h30 e às 17h, enquanto cada seção realiza ações próprias.
A demanda central é uma recomposição do salário real. Catena afirmou que a resposta requer recursos econômicos e pediu a realocação de verbas que hoje têm outros destinos. Também destacou que a lei de financiamento educacional continua sem tratamento e reclamou uma resolução política. O sindicato considera que a abertura da mesa foi uma conquista da medida, mas ainda não a interpreta como uma oferta suficiente para suspendê-la.
O SUTEF estabeleceu três condições para voltar às salas de aula: resolver a deterioração salarial, projetar um maior investimento educacional e evitar descontos pelos dias de greve. Catena propôs como meta um salário mínimo vital e móvel de 3.000.000 de pesos para uma professora de turno simples. Para explicar a perda do poder de compra, comparou os 1.330 dólares que esse cargo recebia em dezembro de 2015 com os 330 dólares alcançados quatro anos depois e com a estagnação atual.
O dirigente também vinculou o protesto com o desfinanciamento nacional e com obrigações que, em sua opinião, ficaram concentradas na Província, desde salários até manutenção escolar. Lembrou que o acampamento docente de 2005 iniciou conquistas laborais e pedagógicas, entre elas auxiliares, duplas pedagógicas e gabinetes escolares. Essa referência histórica faz parte do chamado sindical para manter a unidade e a presença nas ruas.
As concentrações continuarão no Ministério da Educação de Rio Grande, no acampamento de Ushuaia e nos pontos definidos em Tolhuin. A mesa técnica deverá informar se existe margem orçamentária para uma proposta e sob qual cronograma poderia ser aplicada. Até que surja uma resposta salarial concreta e se resolva a questão dos descontos, o sindicato manterá a greve, a mobilização e o acampamento em toda a província.