A reivindicação pelo emprego petrolífero voltou ao centro da agenda de Santa Cruz. A senadora nacional Natalia Gadano apoiou a posição do Sindicato do Petróleo, Gás Privado e Energias Renováveis para que a Pan American Energy priorize a contratação de mão de obra local nas operações que realiza dentro do território santacrucenho.
O ponto de conflito está no setor santacrucenho de Cerro Dragón, um dos campos de hidrocarbonetos mais importantes do país. A área se estende entre Chubut e Santa Cruz, mas a reivindicação busca garantir que a atividade realizada em solo santacrucenho tenha efeito direto em empregos para moradores da província.
A discussão se apoia na Lei Provincial 90/10, que promove a incorporação de trabalhadores locais na atividade produtiva. Para Gadano, seu cumprimento efetivo permitiria abrir oportunidades de trabalho para famílias santacrucenhas e corrigir uma situação em que, segundo o sindicato, parte das tarefas é executada por pessoal e empresas radicadas fora da província.
A área questionada registra produção aproximada de 1.300 metros cúbicos diários de petróleo e conta com mais de 450 poços em operação. Esse peso produtivo reforça a demanda política: se Santa Cruz aporta recursos, produção e riqueza, a exploração também deve deixar emprego, renda e desenvolvimento nas comunidades onde esses recursos são extraídos.
A reivindicação surge em um momento sensível para o mercado de trabalho petrolífero provincial, marcado pela saída da YPF de áreas maduras e pela necessidade de sustentar postos na bacia. Nesse cenário, o debate sobre fornecedores, empresas contratadas e residência dos trabalhadores se torna uma questão estratégica para a economia regional.
Gadano procurou apresentar a demanda como uma defesa do trabalho santacrucenho, não como uma disputa com Chubut. A diferença é relevante: o debate não se limita à fronteira administrativa de um campo compartilhado, mas à forma como são distribuídos os benefícios sociais de uma atividade que continua central para a estrutura econômica de Santa Cruz.
A exigência dirigida à PAE deixa uma pergunta de fundo para a província: quem captura o valor laboral de seus recursos naturais. A resposta dependerá da capacidade do Estado, dos sindicatos e das empresas de transformar a norma vigente em contratação concreta, formação local e oportunidades estáveis nas zonas petrolíferas.