O Governo retirou do projeto de Inviolabilidade da Propriedade Privada o capítulo que modificava a Lei de Terras depois de comprovar que não reunia votos para aprová-lo no Senado. A decisão chegou menos de vinte e quatro horas antes da sessão convocada para quinta-feira e permite ao oficialismo sustentar o tratamento do restante da iniciativa. A reforma sobre estrangeirização não foi aprovada nem eliminada definitivamente: retornará ao trabalho em comissões.
A Casa Rosada já havia cedido em relação à sua proposta original. O primeiro texto eliminava os limites para que pessoas ou empresas estrangeiras comprassem terrenos; a última redação aumentava de 15% para 25% o máximo de terras rurais que poderiam ficar em mãos estrangeiras em cada distrito. Também mantinha a proibição para Estados estrangeiros e restrições em zonas estratégicas, incluindo as áreas de fronteira. Essas modificações também não foram suficientes para manter o apoio de governadores e blocos dialogantes.
O acordo para separar o capítulo foi comunicado por La Libertad Avanza junto com setores da UCR, o PRO e forças provinciais. Participaram 44 senadores e explicaram que o adiamento busca ampliar o consenso, não encerrar a discussão. A sessão continuará com as reformas ao regime de expropriações, os procedimentos de despejo, a Ley de Manejo del Fuego e a modernização do Registro de Imóveis, pontos que os signatários consideram suficientemente respaldados.
A retirada mostrou o poder de pressão dos governadores aliados, que se desvincularam apesar de manter canais de negociação com Javier Milei. Também modificou o cenário de uma votação que Patricia Bullrich havia apresentado como encaminhada. A chefe do bloco libertário havia defendido os controles incorporados e assegurado que a aprovação parcial estava garantida, mas a contagem final obrigou a dividir o projeto para proteger a sessão e evitar uma derrota aberta.
A disputa parlamentar se cruzou com uma mobilização convocada pela CGT, as duas CTA e a UTEP para quinta-feira em frente ao Congresso. Os sindicatos decidiram mantê-la mesmo após a recuada oficialista. ATE celebrou a retirada como resultado da pressão social, enquanto as centrais mantiveram suas críticas às mudanças sobre terras, despejos e bens comuns. O protesto, portanto, continuará embora o ponto que o impulsionou tenha saído provisoriamente da pauta.
O Senado enfrentará agora duas decisões separadas. Primeiro deverá reunir quórum e votar os capítulos que permaneceram na iniciativa; depois, as comissões terão que definir se existe uma fórmula sobre propriedade rural capaz de atrair os aliados que rejeitaram o limite de 25%. O governo salvou o tratamento imediato mediante uma concessão, mas deixou pendente a reforma que havia apresentado como instrumento para atrair investimentos e reforçou a capacidade de negociação das províncias.